Imagem ilustrativa (FreePik) Falta pouco mais de um mês para os olhares do mundo se voltarem para Belém (PA). É quando acontece a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30. O evento vai reunir centenas de países para discutir ações de enfrentamento à crise climática. E a agenda ESG das empresas e Poder Público, certamente, será impactada pelo que for dito (e decidido) na capital paraense. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Sediar a COP30 representa uma oportunidade única de redefinir a posição brasileira no cenário da sustentabilidade e do ESG. No entanto, essa oportunidade só terá impacto real se o País conseguir atravessar as barreiras da retórica e convertê-la em práticas concretas de governança e desenvolvimento sustentável”, afirma o mestre em Ciências Ambientais e Sustentabilidade, André Calderan. Segundo ele, a COP30 pode ampliar a visibilidade das desigualdades sociais agravadas pela crise climática, reforçando que o combate ao aquecimento global não pode se dissociar da redução da pobreza e da vulnerabilidade. “A conferência pode impulsionar tanto políticas públicas quanto compromissos empresariais que integrem metas ambientais e sociais em seus planos estratégicos. Ainda pode reforçar a importância de um modelo de governança inclusivo, em que povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e comunidades locais participem efetivamente das decisões”, sustenta Calderan. Ele entende que, do lado dos empresários, o engajamento com a agenda ESG cresce rapidamente, mas esbarra em obstáculos. Uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com mil empresários mostrou que 75% dos executivos veem a COP30 como chance de melhorar a imagem do Brasil no exterior, e 77% acreditam que o evento impulsionará exportações. “Há um apetite claro do setor privado por investimentos verdes: 66% das empresas manifestaram interesse em acessar financiamento sustentável, mas 43% avaliam que as políticas públicas nacionais têm dificultado, em vez de facilitar, esses investimentos. Esse descompasso evidencia que, embora as empresas estejam dispostas a agir, o ambiente regulatório e de governança ainda precisa avançar para viabilizar ações concretas de sustentabilidade”, pontua. Investimentos Rose Mary Palmeira da Silva, pesquisadora em Cultura Organizacional e Meio Ambiente, entende que a COP30 irá impulsionar a Agenda ESG, atraindo investimentos em inovação e sustentabilidade, estimulando políticas alinhadas à transição energética, reforçando compromissos empresariais em transparência e governança, e principalmente, valorizando nossos ativos naturais como diferencial competitivo. “Mais do que uma conferência, a COP30 é um convite não só para empresas, governos e sociedade civil unirem-se rumo a um futuro em que crescimento econômico e responsabilidade socioambiental se entrelacem cada vez mais”, pontua. Para ela, a “confortável existência humana” já está sendo afetada e poderá ter mais consequências extremamente perigosas. “O Brasil tem tu-do para transformar essa visibilidade em legado. A hora de fortalecer a Agenda ESG é agora”, complementa. COP Portos Uma comissão dos portos brasileiros trabalha de olho na COP30. O grupo apresentará um documento com as demandas do setor, alinhadas com as melhores práticas ambientais, no eventoque acontecerá em Belém. A COP Portos é composta por integrantes do Grupo Tribuna, das Autoridades Portuárias, da Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph), além de representantes de associações do setor e de instituições públicas, como a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).