Fábrica-bar tem 11 torneiras com estilos variados, alguns bem diferentes como chope de vinho branco e a Quadruple de Bananada (Alexsander Ferraz/ AT) A Santos Cervejeiros acaba de alcançar um marco importante: é a primeira cervejaria artesanal do Estado de São Paulo a conquistar o selo Carbono Neutro, certificação que comprova a compensação das emissões de gases de efeito estufa geradas em seu processo produtivo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Instalada na Rua Santos Dumont, 78, no Macuco, a fábrica-bar combina sabor, autenticidade e consciência ambiental mostrando que é possível brindar o planeta com responsabilidade. A Tribuna visitou a sede na última segunda-feira conhecendo a produção da fábrica e o processo para obtenção do selo. “Fizemos um inventário detalhado de todas as etapas da produção para conseguir a certificação”, explica Wilber Gadi, técnico em meio ambiente e responsável técnico pela operação. “A ideia é reduzir ao máximo nosso impacto e neutralizar o que sobra por meio de créditos de carbono”, complementa a sócia, Mariana Nogueira. Ao todo, foram neutralizadas cerca de 32 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) por meio de ações como reaproveitamento de resíduos, uso de energia solar e aquisição de créditos de carbono certificados. A casa oferece 11 estilos de cerveja artesanal que se revezam nas torneiras (Alexsander Ferraz/AT) A auditoria foi conduzida pela AKVO ESG, startup especializada em medição e compensação de carbono. A análise envolveu consumo de energia, uso de gás e transporte de insumos e resíduos. A preocupação com o meio ambiente é visível em cada detalhe. Trinta por cento da energia usada vem de fazendas solares por assinatura, já que o espaço da fábrica é pequeno e não comporta placas solares. Além disso, todo o resíduo de malte que sobra da produção é destinado à panificação e à compostagem. “É um material muito rico em nutrientes para o solo”, lembra Mariana. Tudo que é usado na fábrica é encaminhado à reciclagem. “O que não conseguimos eliminar, compramos em crédito de carbono”, diz Wilber. Mas sustentabilidade, ali, anda de mãos dadas com sabor e a exclusividade. A casa oferece 11 estilos de cerveja artesanal que se revezam nas torneiras. Entre eles, uma cerveja de vinho branco superleve, que é uma das marcas registradas da fábrica. Também faz sucesso a California Common, e criações exclusivas como a Australian Sparkling Ale e Quadruple de Banananada, feita com o doce caseiro de banana preparado pela mãe do mestre cervejeiro Jefferson Omelczuk, dona Antônia, de 85 anos. “Temos sempre quatro fixas: a IPA, a Pilsen, o chope de vinho branco e a English Porter”, detalha Wilber. A produção chega a 2 mil litros por mês, com tempo médio de maturação de 20 a 40 dias nos tanques de inox ou polipropileno. “Um dos nossos diferenciais é a constância de temperatura durante todo o processo. Não há variações bruscas, o que mantém a qualidade da cerveja”, completa. À frente da marca estão Jefferson Omelczuk, o mestre cervejeiro, Wilber Gadi, responsável técnico e Mariana Nogueira, sócia e responsável pelo marketing. A Santos Cervejeiros nasceu em 2022 e há um ano e um mês integra oficialmente a Rota das Cervejarias Artesanais da Baixada Santista. Além do bar da fábrica, a marca fornece chope para a hamburgueria Hey Burger, o Restaurante Família Santos, eventos e a charmosa kombinha da Rota Santista da Cerveja, que também tem compensação de carbono. A Santos Cervejeiros nasceu em 2022 e há um ano e um mês integra oficialmente a Rota das Cervejarias Artesanais da Baixada Santista (Alexsander Ferraz/AT) Como nasce uma cerveja na Santos Cervejeiros (Por Wilber Gadi, Responsável técnico) A mistura Começa com água quente e malte. “Lavamos o malte para extrair suas propriedades e proteínas. Ele é responsável pela cor e por grande parte do sabor da cerveja.” Controle de temperatura “Cada tipo de malte é cozido em temperaturas específicas, por tempos específicos. É como uma receita precisa.” Adição de lúpulo “É o que traz o amargor e o aroma. Só a IPA recebe o lúpulo por infusão, dias depois, através de uma bazuca que fica no topo do tanque.” Resfriamento “A cerveja sai quente, com cerca de 100 °C, e passa por dois trocadores de calor, chegando à faixa entre 28 °C e 32 °C automaticamente.” Fermentação “A levedura, que é responsável pela espuma e pelo álcool, só é adicionada quando o líquido está abaixo de 23 °C. Se for mais quente, ela morre.” Maturação “A cerveja fica de 20 a 40 dias nos tanques, dependendo do estilo. É o período em que ganha corpo, equilíbrio e sabor.” Envase “Trabalhamos com barris de PET de 20, 30 e 50 litros. São leves, recicláveis e mantêm a cerveja viva, sem pasteurização e sem variação térmica.”