A energia hidrelétrica tem sido complementada por avanços expressivos em energia eólica (foto) e solar, diz especialista (Imagem ilustrativa/Reprodução/Pexels) Diferentemente de muitas nações industrializadas e líderes mundiais, como Estados Unidos e China, o Brasil já conta com uma das matrizes elétricas mais limpas do globo, uma vantagem em meio à intensificação do efeito estufa. Em 2024, mais de 80% da eletricidade gerada no País teve origem em fontes renováveis e limpas, como as energias hidrelétrica, eólica e solar. “O País tem demonstrado protagonismo nessa agenda, especialmente no campo da geração elétrica. A energia hidrelétrica, historicamente dominante, tem sido complementada por avanços expressivos em energia eólica e solar”, afirma a sócia e head de ESG na Ecovalor Consultoria em Sustentabilidade e ESG, Camila Fagundes. Além disso, lembra a especialista, o Brasil implementou políticas inovadoras, como o RenovaBio (ler mais no destaque), que estimula o uso de biocombustíveis na matriz de transportes, e tem promovido pesquisas e projetos-piloto em hidrogênio verde e mobilidade elétrica. Apesar dos avanços, a transição energética no Brasil ainda enfrenta desafios relevantes, segundo a especialista. Um dos principais é a necessidade de ampliar a descarbonização para além da geração de energia elétrica, alcançando também setores intensivos em emissões, como o transporte rodoviário (majoritariamente movido a diesel e gasolina), a indústria de base e o uso de energia no campo. “Esses segmentos ainda apresentam forte dependência de combustíveis fósseis e necessitam de políticas específicas, incentivos financeiros e soluções tecnológicas para acelerar sua transformação”, argumenta Camila. Além disso, persistem gargalos estruturais que limitam a expansão das fontes renováveis. A especialista lembra que a infraestrutura de transmissão de energia, por exemplo, muitas vezes não acompanha o crescimento da geração em regiões com alto potencial renovável, como o Norte e o Nordeste. A geração distribuída, embora em crescimento, ainda encontra barreiras regulatórias e econômicas, especialmente em áreas de baixa renda. “Outro ponto crítico é a necessidade de investimentos em sistemas de armazenamento de energia, como baterias e soluções híbridas, para garantir segurança e estabilidade ao sistema elétrico diante da intermitência das fontes solar e eólica”, completa Camila. A especialista argumenta que não se trata de eleger uma fonte energética como solução única, mas sim de promover um equilíbrio inteligente e complementar entre diferentes fontes renováveis. “A energia solar, por exemplo, é abundante em praticamente todo o território nacional e tem custos cada vez mais competitivos. A energia eólica já se consolidou como uma alternativa eficiente e em constante expansão, especialmente no Nordeste. As hidrelétricas, apesar de desafios ambientais e sociais, continuam sendo essenciais para a estabilidade do sistema pela capacidade de armazenamento e geração contínua. Além dessas, o Brasil também pode avançar em soluções como biogás e biometano, aproveitando resíduos urbanos, agrícolas e da pecuária, e na produção de hidrogênio verde, com potencial de uso doméstico e exportação”, explica. Futuro As perspectivas para os próximos anos são bastante positivas, segundo Camila Fagundes. A tendência é que o Brasil amplie sua capacidade de geração renovável, com novos parques solares e eólicos, e fortaleça a geração distribuída em todo o território nacional. “A redução dos custos de tecnologias limpas, a maior demanda por produtos e serviços de baixo carbono no mercado internacional e o fortalecimento de instrumentos financeiros sustentáveis, como os green bonds, devem impulsionar ainda mais o setor. Se bem conduzida, a transição energética no Brasil tem o potencial de gerar empregos qualificados, atrair investimentos, aumentar a competitividade internacional e contribuir de forma decisiva para o enfrentamento da crise climática”, define.