Maria Clara Donato de Souza Fernandes estuda no Colégio Maximus, em Guarujá (Sílvio Luiz/ AT) Elas têm o mesmo nome, a mesma idade — 15 —, são apegadas ao celular, mas tiveram que se distanciar dele para fazer história. Maria Clara Silva de Araújo (comissão julgadora) e Maria Clara Donato de Souza Fernandes (voto popular) são as vencedoras do 20º Câmera Educação, prêmio promovido pelo Grupo Tribuna e direcionada a alunos do 9º ano do Ensino Fundamental. Elas fizeram redações sobre o tema Quem É Você sem seu Celular. A resposta: são campeãs. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A premiação ocorreu na manhã de nesta sexta-feira (14), no auditório do Grupo Tribuna. Ao todo, concorreram 76 redações de cidades da Baixada Santista e do Vale do Ribeira. Destas, 11 foram selecionadas, e seus autores aguardaram, ao lado de familiares e professores, até o último instante para saber quem levou a melhor. Maria Clara Silva de Araújo, da Escola Modelo, de Santos; estudantes ganharam troféus (Sílvio Luiz/ AT) Desafiador “Consegui ficar sem meu celular por um tempo. Foi bem legal, mas desafiador também”, descreve Maria Clara Araújo, a escolhida pela comissão julgadora. “Foi muito gratificante. Não imaginava que eu chegaria onde estou. E o prêmio é de todos”, diz a dona da redação Entre a Tela e a Vida Real. O orgulho reinou entre o professor da Escola Modelo, de Santos, Ricardo Humberto Rodrigues, e a mãe da jovem, Vanessa Araújo. “Sou um professor de português que é jornalista. Então, gosto muito do texto, que eles se expressem. E, para mim, é muito importante. O celular não precisa ser um inimigo, mas um aliado”, afirma ele. A mãe, que não segurou as lágrimas, aposta em um futuro promissor. “Não estou segurando a emoção, por mais que eu já tivesse a convicção, porque ela é muito inteligente mesmo. E eu falei para ela: ‘Filha, você é uma máquina, uma garota fora da curva’”, relata Vanessa — que, a depender dos planos de Maria Clara, terá uma escritora em casa. Mudança de estilo A campeã no voto popular conta que teve um “estalo” e resolveu mudar a forma de escrever para concorrer ao Câmera Educação. “Sempre faço mais dissertativa, mas resolvi mudar. A gente não pode priorizar algo que não faça tanta diferença na nossa vida, porque, no final, quem está com a gente são a nossa família, amigos e a escola”, pensa Maria Clara Donato, dona da redação Desafios de uma Sobrevivente Digital, que pretende ser juíza. A professora do Colégio Maximus, de Guarujá, Lanarsa Garcia, considera que o mérito é todo de sua aluna. “É uma excelente aluna, esforçada, tem um senso crítico e um jeito de colocar a alma no que ela escreve. Foi criativo o uso de hashtags, e me emocionou.” Para a mãe, Daniela Donato, a esperança pela vitória existia, mas a emoção da certeza foi gigantesca. “Ela sempre procura estar o melhor dela e não foi diferente dessa vez. Estou muito orgulhosa.” Maria Clara Donato e Maria Clara Araújo: xarás fizeram história (Sílvio Luiz/ AT) No próximo, vídeos Para o diretor-presidente da TV Tribuna, Roberto Clemente Santini, a conclusão de mais um Câmera Educação tem uma satisfação especial. “De tantos eventos que a gente faz, este é o que eu mais gosto. Temos um carinho muito grande. Ele mexe com os jovens e a sua imaginação. O número de inscrições mostra esse interesse”, afirma. Santini ainda apresentou uma novidade para a próxima edição: além da redação, também haverá participação por meio do envio de vídeos. O diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes, destacou a necessidade de os jovens deixarem sua “zona de conforto” para falar da convivência com a tecnologia, que é parte de suas rotinas. “O tema foi escolhido com muita sabedoria. Todos vivem grudados em tela, celular, TV, computador, e tiveram que falar exatamente sobre isso.” Santini: “De tantos eventos que a gente faz, é o que eu mais gosto” (Sílvio Luiz/ AT) Gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna, Arminda Augusto elogiou o alto nível das redações concorrentes. “É o tema do momento. No começo do ano, a gente teve essa mudança na legislação que veta o uso do celular em sala de aula. Também queríamos um tema que diminuísse a chance do uso de inteligência artificial. Cada um trouxe uma vivência, um formato, e as redações foram bem interessantes.”