Debatedores observaram vantagens do gás em plantas industriais e abordaram questões logísticas (Alexsander Ferraz/AT) A discussão no segundo painel do fórum Cubatão + Sustentável, realizado nesta segunda-feira (24) de manhã, foi sobre o papel do gás natural como alternativa limpa para o Polo Industrial de Cubatão e as oportunidades econômicas com essa matriz energética. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “O Polo Industrial de Cubatão sempre esteve na vanguarda de buscar alternativas para trazer soluções mais limpas para as suas plantas industriais, e o gás natural foi um grande impulsionador dessa oportunidade”, afirmou o presidente do Cide-Cubatão, Ricardo Salgado. Conforme Salgado, já é possível operar plantas industriais baseadas, de modo fundamental, no gás natural, “como também funcionar possíveis novos negócios e novos investimentos aqui para a nossa região”. A professora Taluia Croso, do Instituto de Energia e Ambiente – USP (IEE-USP), apontou o gás natural e o biometano como fontes de energia relevantes para o processo de descarbonização. “Cubatão tem melhores oportunidades que o Estado de São Paulo, principalmente pela questão da infraestrutura; então, a Cidade pode se tornar um hub (ponto central) de energia”, afirmou. Gerente-geral das unidades da Yara em Cubatão, Cláudio Santos destacou as dificuldades estruturais do Brasil para aproveitar o próprio gás natural. “A gente reinjeta (devolve para reservatórios) cerca de 55% do gás que produz, enquanto a média mundial é de 20% a 30%.” Lopes: crescer passa por Cubatão (Alexsander Ferraz/AT) Santos acrescentou que, no Brasil, a molécula de gás natural custa cerca de US\$ 8 (R\$ 43,16), ante US\$ 4,50 (R\$ 24,28) em mercados como os Estados Unidos. Isso afeta a indústria química, pois “80% do custo variável da planta (industrial) vem do gás natural”. Professora do Senai em Santos, Sabrina Martins dos Santos observou que o escoamento e a distribuição de gás ainda estão muito concentrados nas plataformas e na faixa costeira. “O ideal seria que essa distribuição fosse mais espalhada pelo País, para que a malha fosse ampliada em relação ao consumo de gás natural.” Debatedores: obras devem conectar indústria e população A expansão do Porto de Santos, o Túnel Santos-Guarujá, o Tecon Santos 10 e a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes só trarão benefícios reais à Baixada Santista se a indústria local e a população estiverem conectadas a novas oportunidades. Assim disse o secretário de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo de Cubatão, Fabrício Lopes, no último painel do Cubatão + Sustentável, sobre perspectivas de desenvolvimento econômico para Cubatão e região. Ferreira: proteger e valorizar (Alexsander Ferraz/AT) “Se não pensarmos que essa expansão do Porto passa por áreas dentro de Cubatão e não garantir desenvolvimento econômico e emprego, corremos o risco de ver a periferia aumentar e os postos de trabalho não serem ocupados por quem vive aqui.” O presidente do Centro das Indústrias do Estado (Ciesp) em Cubatão, Américo Ferreira Neto, acrescentou que “falar em reindustrialização sem falar do Polo Industrial de Cubatão é uma falácia”. Ele defendeu medidas para proteger a indústria local de concorrência desleal, como o aço chinês subsidiado, e a valorização das tecnologias nacionais, como o etanol. A subsecretária de Competitividade e Desenvolvimento Econômico e Regional, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, Júlia da Motta, enfatizou: a estratégia governamental é fortalecer cadeias produtivas locais e aproximar empresas de fornecedores. Por exemplo, mapeando oferta e demanda em um raio de até 50 quilômetros das indústrias, para “reduzir custos logísticos, gerar emprego e renda e diminuir a pegada de carbono do transporte”. Segundo ela, São Paulo ainda tem dificuldades em enxergar sua produção interna, comprando produtos de outros estados, e reforçou a importância de observar novas cadeias produtivas, especialmente ligadas a tecnologias limpas. Júlia descreve estratégias oficiais (Alexsander Ferraz/AT)