Pandemia reduz preconceito e Ensino a Distância cresce no Brasil

Número de ingressantes em cursos superiores de graduação, na modalidade EAD, aumentou 474%

Por: ATribuna.com.br  -  12/11/23  -  10:39
Flexibilidade e acessibilidade são os principais motivos para a escolha do método pelos jovens
Flexibilidade e acessibilidade são os principais motivos para a escolha do método pelos jovens   Foto: FreePik

Se no passado a graduação a distância podia ser vista por alguns como uma escolha dos alunos que buscavam o caminho mais fácil em direção ao diploma, a pandemia veio para desmistificar essa visão deturpada sobre a obtenção de conhecimentos de forma remota. No entanto, não foi apenas a crise sanitária que trouxe uma nova realidade à metodologia de ensino no Brasil. Antes mesmo do isolamento social imposto pelo coronavírus, o número de jovens matriculados nos cursos EAD já estava em crescimento.


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De acordo com o Censo de Educação Superior 2020, considerando todos os alunos de EAD (não só os ingressantes), há um perfil mais comum: jovens de, em média, 26 anos, matriculados no curso de licenciatura (ou seja, interessados em atuar como professores). No ambiente presencial, a idade média é inferior, em torno de 21 anos, e o grau predominante é o de bacharelado.


Mas não é apenas a idade que diferencia os dois tipos de público. Os alunos adeptos do EAD costumam ter ou desenvolver outras habilidades para que as aulas sejam realmente proveitosas. Nesse sentido, dedicação e comprometimento se tornam as palavras-chave. Consequentemente, acabam sendo considerados mais atrativos pelos recrutadores.


“Os diplomas não indicam se um curso foi realizado presencialmente ou a distância. Mas, independente disso, esse preconceito, que já foi maior, vem se reduzindo, a ponto de algumas empresas até preferirem contratar alunos que fizeram cursos a distância, por sua iniciativa, organização, habilidades para lidar com tecnologias etc.”, destacou o presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), João Mattar.


Segundo ele, pesquisas também mostram que os alunos do EAD apresentam resultados de aprendizagem no mesmo nível, ou até maior, do que os estudantes da modalidade presencial. No Brasil, o curso a distância não pode ser 100% remoto. A lei obriga as universidades a oferecerem pelo menos 20% da grade curricular em atividades presenciais. Isso pode se traduzir em encontros para apresentação de trabalhos, provas finais, aulas em laboratório ou momentos de integração.


“Mesmo que os cursos fossem realizados totalmente a distância, os estudos internacionais não mostram que o aprendizado e/ou o conhecimento desses jovens sejam menores do que os dos alunos presenciais. Não há um prejuízo ou discrepância entre os dois grupos”, reforçou Mattar.


Números
Entre 2011 e 2021, o número de ingressantes em cursos superiores de graduação, na modalidade EAD, aumentou 474%. No mesmo período, a quantidade de matriculados em presenciais diminuiu 23,4%. Se, em 2011, os ingressos por meio de EAD correspondiam a 18,4% do total, em 2021, esse percentual chegou a 62,8%. Os dados fazem parte dos resultados do Censo da Educação Superior 2021, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e pelo Ministério da Educação (MEC).


O Censo divulgado no mês passado pelo MEC também revelou que o número de cursos de graduação na modalidade EAD aumentou 700% nos últimos dez anos no País. Hoje, são 9.186 cursos e, em 2012, eram 1.148. Os dados revelaram ainda que, em 2022, 72% dos alunos aprovados no Ensino Superior privado optaram por estudar à distância. Nas licenciaturas, o índice foi ainda maior: 93,2%.


“A procura por cursos de graduação a distância já vinha crescendo antes da pandemia, que contribuiu para um aumento ainda maior, diante da necessidade de uso do recurso”, mencionou o presidente da Abed. Porém, apesar da relação feita entre o EAD e a disseminação do coronavírus, há uma diferença entre ensino remoto e ensino a distância. O primeiro é uma adaptação temporária do presencial, enquanto o outro é pensado estrategicamente para ser on-line.


Critérios
Apesar das vantagens, o EAD exige uma atenção especial e a busca por alguns critérios antes da decisão final. Toda essa pesquisa pode ser feita pelo site do MEC, onde o estudante tem acesso às avaliações dos cursos, as notas e se as instituições são reconhecidas, garantiu Mattar.


“O aluno pode levar em consideração vários critérios como reputação da instituição de ensino, quadro docente, programa do curso. Além disso, é importante identificar onde é o polo em que o aluno fará suas atividades presenciais, se é próximo de onde reside, com que frequência terá que ir ao local. Informe-se com colegas que conheçam ou tenham estudado nesta instituição”.


Flexibilidade
A jovem Gisele Sayuri Ireijo é uma que optou pelo EAD pelas facilidades oferecidas pela modalidade. Ela mora em Santos e cursa Letras com licenciatura em Japonês e Inglês na Universidade Cruzeiro do Sul.


“Por não ser um curso muito comum, não existia uma instituição sequer na minha cidade que o oferecesse. Optei pelo ensino a distância porque me possibilitou cursar exatamente o que eu queria sem precisar mudar a minha rotina de trabalho e nem gastar horas para ir até São Paulo”, explicou a estudante.


Outra vantagem, mencionou Gisele, é o fato de poder organizar os seus horários de estudo, conforme os compromissos diários. “Posso tanto fazer 20 minutos como 3 horas por dia ou acumular tudo para o final de semana. É tudo totalmente on-line, inclusive as provas e o contato com a instituição de ensino”.


A ausência de interação com outras pessoas também pode ser considerada um prejuízo para aqueles que têm no relacionamento interpessoal uma das prioridades. No entanto, há a chance de ser compensado no momento dos estágios, lembrou Gisele.


Para Evelyn Cristina de Souza, que está no 3º semestre de Pedagogia no formato EAD da Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos, a falta de vivência e troca de experiências com outras pessoas é o ponto negativo do ensino a distância. “Optei por cursar EAD por conta da diferença de valor nas mensalidades. A maior vantagem é poder encaixar os estudos a qualquer hora do dia e a maior desvantagem é não ter trocas com outros alunos, como acontece em uma sala de aula convencional”.


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