Na educação, pais têm de impor limites, diz psicanalista

Alessandra Mazzotta afirma que os progenitores precisam estabelecer regras

Por: Da Redação  -  05/11/23  -  16:07
Alessandra assegurou que os próprios adolescentes vão culpar seus pais caso estes não coloquem regras
Alessandra assegurou que os próprios adolescentes vão culpar seus pais caso estes não coloquem regras   Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Os pais não podem deixar de impor limites. Apesar do provável aumento dos conflitos, provocado por uma postura mais enfática dos progenitores, pelo bem dos filhos, é necessário negar desejos dos adolescentes. Quem disse isto, durante A Região em Pauta, foi Alessandra Mazzotta, psicanalista e fundadora do Espaço Adolescer, da Caital, que lida, há 20 anos, com questões envolvendo jovens, seus conflitos e suas relações interpessoais e com as famílias.


A especialista, que participou do segundo painel do fórum, afirmou que pais e mães costumam ter receio da reação dos filhos. Por isso, deixam garotas e meninos livres para fazerem as coisas do jeito que preferirem.


No entanto, de acordo com a estudiosa, a preocupação deve ser deixada de lado, pois as “crias” esperam que os mais velhos estabeleçam regras. “Tem de dar um limite. Todos nós constatamos: o adolescente fica tranquilo e feliz quando recebe limite. Não é tirania ou violência. É dizer ‘não’”.


Alessandra continuou sua explanação, assegurando que a falta de imposição gera problemas e que os jovens vão fazer cobranças por não terem sido impedidos de satisfazerem suas vontades.


“Se ficarmos reféns dos adolescentes, a gente vai fazer mal para eles. Diálogo, escuta, conscientização, paciencia e dar limite: isso é formatar o menino e a menina. Sem um limite, eles ficam angustiados, fazem besteiras e vão culpabilizar os pais”, garantiu.


Por estas razões, a psicanalista pediu que os progenitores ajam, independentemente de uma eventual fúria dos filhos. “Nossa função é difícil. Eles não vão ouvir muitas vezes, mas temos de cumprir com nossa obrigação. Temos responsabilidade pela saúde mental deles. Em orientação parental, falo aos pais que tem de suportar a raiva”.


Mais suave
A psicopedagoga Iara Mastine também acha que não se pode abdicar da educação e dos cuidados com o bem-estar dos jovens. Entretanto, ela acredita que as abordagens não devem ser enérgicas, dando espaço a uma conversa mais reflexiva com os mais novos.


“O segredo não é tirar o celular deles e esconder, mas fazê-los entender que se ficarem mais tempo (usando o aparelho), vão ter perdas. Então, é trazer o adolescnete ou a criança para coparticipar das decisões. Tem de fazer sentido para eles. É abrir para escuta ativa, perguntando o que acham”, falou, salientando que encerrar uma conversa com um questionamento é sempre o ideal.


“Existe uma teoria que se chama Comunicação Não Violenta, que indica terminar um diálogo com pergunta, porque a pessoa que vai responder tem de assimilar (o assunto). Quanto mais estimular o adolescente a falar, melhor”, frisou.


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