[[legacy_image_309356]] Os pais não podem deixar de impor limites. Apesar do provável aumento dos conflitos, provocado por uma postura mais enfática dos progenitores, pelo bem dos filhos, é necessário negar desejos dos adolescentes. Quem disse isto, durante A Região em Pauta, foi Alessandra Mazzotta, psicanalista e fundadora do Espaço Adolescer, da Caital, que lida, há 20 anos, com questões envolvendo jovens, seus conflitos e suas relações interpessoais e com as famílias. A especialista, que participou do segundo painel do fórum, afirmou que pais e mães costumam ter receio da reação dos filhos. Por isso, deixam garotas e meninos livres para fazerem as coisas do jeito que preferirem. No entanto, de acordo com a estudiosa, a preocupação deve ser deixada de lado, pois as “crias” esperam que os mais velhos estabeleçam regras. “Tem de dar um limite. Todos nós constatamos: o adolescente fica tranquilo e feliz quando recebe limite. Não é tirania ou violência. É dizer ‘não’”. Alessandra continuou sua explanação, assegurando que a falta de imposição gera problemas e que os jovens vão fazer cobranças por não terem sido impedidos de satisfazerem suas vontades. “Se ficarmos reféns dos adolescentes, a gente vai fazer mal para eles. Diálogo, escuta, conscientização, paciencia e dar limite: isso é formatar o menino e a menina. Sem um limite, eles ficam angustiados, fazem besteiras e vão culpabilizar os pais”, garantiu. Por estas razões, a psicanalista pediu que os progenitores ajam, independentemente de uma eventual fúria dos filhos. “Nossa função é difícil. Eles não vão ouvir muitas vezes, mas temos de cumprir com nossa obrigação. Temos responsabilidade pela saúde mental deles. Em orientação parental, falo aos pais que tem de suportar a raiva”. Mais suaveA psicopedagoga Iara Mastine também acha que não se pode abdicar da educação e dos cuidados com o bem-estar dos jovens. Entretanto, ela acredita que as abordagens não devem ser enérgicas, dando espaço a uma conversa mais reflexiva com os mais novos. “O segredo não é tirar o celular deles e esconder, mas fazê-los entender que se ficarem mais tempo (usando o aparelho), vão ter perdas. Então, é trazer o adolescnete ou a criança para coparticipar das decisões. Tem de fazer sentido para eles. É abrir para escuta ativa, perguntando o que acham”, falou, salientando que encerrar uma conversa com um questionamento é sempre o ideal. “Existe uma teoria que se chama Comunicação Não Violenta, que indica terminar um diálogo com pergunta, porque a pessoa que vai responder tem de assimilar (o assunto). Quanto mais estimular o adolescente a falar, melhor”, frisou.