Integrar sistemas municipais é saída para reduzir tempo no trânsito da Baixada Santista

Criar a Autoridade Metropolitana envolvendo o tema seria o caminho para organizar o processo e reduzir custos

Por: ATribuna.com.br  -  06/11/22  -  17:01
Terminal Tude Bastos é um dos marcos da integração do transporte coletivo público em Praia Grande
Terminal Tude Bastos é um dos marcos da integração do transporte coletivo público em Praia Grande   Foto: Davi Ribeiro

Integrar o transporte público entre as cidades é o caminho para que o setor se desenvolva na Baixada Santista e beneficie o usuário. “A gente precisa começar a conversar um pouco mais sobre o nosso passageiro, e não o meu passageiro. Ele precisa ser tratado como um passageiro metropolitano”, afirma Fábio Coelho, chefe do Departamento de Fiscalização da EMTU.


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Iniciativas existem. Uma em Praia Grande há pouco mais de duas décadas, a partir de 2001, entre os ônibus municipais e metropolitanos – primeiro no Canto do Forte e, posteriormente, no Terminal Tude Bastos. Em Santos, há a integração entre o VLT e linhas municipais. Por sua vez, a EMTU está em discussões avançadas para fazer isso com os ônibus de São Vicente.


“Temos convênios funcionando. O que impede isso de ir mais para frente? Nada. Existe uma vontade. É necessário, sim, que haja mais rapidez. Mas os sistemas estão conversando”, comenta Coelho. “Ambiente político nós temos. Nós precisamos é da vontade do Governo do Estado”, emenda Raquel Chini, prefeita de Praia Grande e presidente do Condesb.


Tanto que acordos de Praia Grande com Mongaguá e São Vicente – esta última com relação ao bairro Japuí – foram feitos, porém é preciso bem mais. “A gente consegue essas pequenas intervenções, mas quando entramos em integração tarifária, precisamos ter o mesmo sistema funcional. Senão a gente não consegue”, observa Raquel.


Autoridade Metropolitana
A criação da Autoridade Metropolitana de Transporte seria um importante caminho para organizar o processo e reduzir custos na Baixada Santista, lembra Sergio Avelleda, ex-secretário de Mobilidade e Transporte da cidade de São Paulo. O conceito prevê que cada prefeitura e a comunidade teria um lugar na gestão, formando um Conselho para a gestão conjunta. Todas as linhas pertenceriam ao mesmo sistema e teriam cartão igual, com todos os serviços e a tarifa integrada.


Dentro das 74 regiões metropolitanas, cinco aglomerações urbanas e três regiões integradas de desenvolvimento no Brasil, ele cita dois exemplos mais avançados no assunto (Recife e Goiânia) e um surgindo (Vale do Itajaí, em Santa Catarina). Algo que a Região Metropolitana de São Paulo, com 39 municípios, já poderia ter adotado há muito tempo, na visão de Avelleda.


“Onde estão as divisas de São Paulo com Guarulhos, Santo André, São Bernardo e Osasco? Só estão no mapa. É um aglomerado urbano que convive em interdependência. Uma pessoa visita os pais em Osasco como se fosse um bairro de uma cidade só. Contudo, os 39 prefeitos fazem planejamento de mobilidade, com sistemas, meios de pagamento, horários e tarifas diferentes, quando deveriam estar completamente integrados com a Autoridade Metropolitana de Transporte”, explica.


Embora os limites possam ser mais claros na Baixada Santista pelos aspectos geográficos, Avelleda defende o sistema para a região. “Paris, Londres, Nova Iorque, Berlim, Washington e Madrid são algumas cidades do mundo que tiveram a coragem de adotar a Autoridade Metropolitana de Transporte. Vou me deter no exemplo de Madrid, que fez isso nos anos 1980 e reduziu em 30% os custos do transporte público”, conta.


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