Fórum em Santos debate a dificuldade dos jovens em falarem de seus problemas

A Região em Pauta, organizado pelo Grupo Tribuna, reuniu especialistas e jovens para falar sobre Educação

Por: Da Redação  -  05/11/23  -  23:00
Filhos evitam conversar sobre seus sentimentos com os pais por terem receio, entre outras coisas, de frustrá-los ou de fazê-los sentir vergonha
Filhos evitam conversar sobre seus sentimentos com os pais por terem receio, entre outras coisas, de frustrá-los ou de fazê-los sentir vergonha   Foto: Vanessa Rodrigues/AT

A comunicação é essencial para qualquer ser vivo. Mas, quando há medo de ser julgado, falar se torna um desafio difícil de ser superado. Aliás, isto é uma dificuldade constante para os adolescentes, que evitam abrir suas vidas para seus pais por receio de não serem compreendidos.


Conforme a estudante do Ensino Médio Isabela Costa, muitos jovens optam por não expor seus problemas por presumirem que seus pais não os entenderão. “É uma questão de aceitação, ou seja, tenho medo de meus pais não aceitarem o que penso”.


Para a aluna, a postura passa, também, pela forma como pais e mães se comportam no dia a dia. “Quando tratam o filho de maneira autoritária, acaba que o adolescente guarda tudo para si. Aí, surge um vazio dentro dele, porque não consegue conversar com os pais, que não o reconhecem e nem o que ele sente”.


Embora conheça bem esta situação, o escritor Marcos Martinz afirmou que, em seu caso, os elementos que o motivaram a fugir do diálogo foram outros. “Eu tinha muito medo de frustrar meus pais. Pensava que se trouxesse para eles o que eu sofria na escola (bullying), eles sentiriam vergonha de mim. Eu tentava levar tudo isso sozinho”.


Visão diferente
A educadora e vice-reitora da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), campus de Guarujá, Priscilla Bonini Ribeiro, ouviu com atenção as falas dos adolescentes, e citou que existe outro agravante que atrapalha os jovens de revelarem seus sentimentos e externarem suas necessidades aos mais velhos.


“Temos dificuldade de lidar com emoções. Só que isso é natural quando se tem excesso de telas e falta de diálogo, pois o computador não tem emoção. Como o jovem conectado ao mundo virtual vai ter facilidade de lidar (com emoções)? Aí, entram os problemas emocionais, porque são mais frágeis”, ponderou a especialista.


Diante de todas as circunstâncias abordadas, a aluna do Ensino Fundamental Giovanna Senna fez um pedido, cujo objetivo é ajudar os adolescentes a superarem as adversidades que enfrentam.


“Conversem com as pessoas, não só com os pais. Chegue ao amigo e converse, se você tem uma relação boa. Tem medo de ser julgado? Todo mundo tem! Tentem falar com os pais, mas não se abram só com eles. Conversem com amigos. Tudo pode ajudar”, disse a estudante.


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