[[legacy_image_309334]] O mundo visto por meio das redes sociais não é real e pode trazer prejuízos para os adolescentes e até para crianças. Não, esta constatação não é de pessoas de mais idade, mas de jovens que estiveram no palco do auditório do Grupo Tribuna participando do A Região em Pauta. A opinião deles parte daquilo que veem no dia a dia. O escritor Marcos Martinz, de 22 anos, disse que, quando era adolescente, seu quadro de depressão se agravou por causa do que via em espaços como o Instagram. “Eu acordava e pegava o celular. Então, estou tomando meu café preto com pão francês, minha margarina. Abro o Insta e uma influencer aparece numa lancha, tomando um café que parecia ceia de Natal. Ela tinha aquele corpo lindo, sol, amigos bonitos... Pensei: ‘Minha vida é uma porcaria’”, contou, ressaltando, ainda, que “o adolescente é a vítima perfeita desse padrão estético”. Aluna do Ensino Médio, Isabela Costa pensa da mesma forma. E ela vai além, afirmando que as redes são um espaço de superficialidade e de “faz de conta”. “É isso que vejo das pessoas, querendo postar tudo, mostrar que a vida é um mar de rosas. A gente sabe que não é. Postou, legal... Mas, vendo na vida real, ela é diferente”, destacou a garota. Diante de tudo isto, a estudante Giovanna Senna, que está no Ensino Fundamental e é vereadora da Câmara Jovem de Santos, falou que o ideal é que os jovens acessem menos as redes. Afinal, em seu entendimento, a utilização excessiva desse recurso faz com que muitos vivam mais no ambiente virtual do que no verdadeiro. “Existem jovens muito ligados à internet, passando 24 horas por dia no quarto (e conectados). A pessoa fica no celular, no quarto escuro. É só internet, internet… Elas esquecem que existe um mundo real fora das redes ou dos jogos”, ponderou. Escolher influenciadoresThatiana Antunes, da Unidade Municipal de Educação (UME) Pedro II, de Santos, concorda, e faz um alerta: os mais novos precisam tomar cuidado ao escolher as pessoas que vão seguir e acompanhar. “Os influencers do Instagram são tóxicos. Ali, nada é de verdade. Todo mundo tem problema, tem dia que acorda mal. Pode estar na lancha tomando café, mas também tem problema. Então, tem que cair na real”, disse. Isolamento é outro problema levantadoExiste outro problema levantado pelos jovens que é causado pelo uso indiscriminado do celular: o isolamento. Eles veem seus colegas de sala de aula cada vez mais fechados em seus mundos virtuais e distantes de se relacionarem de forma interpessoal. Os convidados de A Região em Pauta estão preocupados com essa situação. Isabela Costa, por exemplo, disse que esse cenário relatado acima é muito comum na escola. “A pessoa posta a vida inteira, mas não conversa com ninguém. Não tem relação. Na sala, ao invés de conversar, fica no celular”, contou. ComportamentoGiovanna Senna ressaltou que essa atitude é fruto de um comportamento impregnado na sociedade. “Os jovens estão muito ligados ao celular. Na minha classe, esquecem do mundo real e ficam no virtual, o que acaba prejudicando o ensino. A nova geração está conectada desde cedo. Com cinco meses de vida, já estão ligados na internet, porque o pai coloca o filho no celular para ver videozinho”.