Escolas da Baixada Santista começam a se adaptar às profissões do futuro

Novos laboratórios e programas inovadores marcam as mudanças, cujo foco é desenvolver habilidades e competências

Por: ATribuna.com.br  -  12/11/23  -  17:47
Adolescentes começaram a buscar outras oportunidades de formação, conforme as suas habilidades, sem necessariamente seguir os padrões familiares
Adolescentes começaram a buscar outras oportunidades de formação, conforme as suas habilidades, sem necessariamente seguir os padrões familiares   Foto: Unsplash

Médico, engenheiro ou advogado? No passado, a escolha da profissão pela maioria dos jovens foi limitada a carreiras tradicionais, que raramente se expandiam para opções até então consideradas ousadas. Mas, ao longo do tempo, os adolescentes começaram a buscar outras oportunidades de formação, conforme as suas habilidades, sem necessariamente seguir os padrões familiares. Hoje, vive-se uma reviravolta, marcada sobretudo pelo avanço tecno-lógico e o crescimento das redes sociais. De influenciadores digitais a cientistas de dados, não há mais regras a serem seguidas quando se trata do caminho a seguir ao fim do Ensino Médio.


“O mercado de trabalho está em constante evolução e transformação. Embora a tecnologia esteja presente em nossa vida diária, nem todas as profissões do futuro estão diretamente ligadas a ela”, apontou a diretora, reiterando que o colégio oferece aos seus alunos um aprendizado focado na formação de cidadãos pensantes, críticos, responsáveis, conscientes e ativos em seu papel social.


A edição mais recente do relatório anual The Future of Jobs, divulgada pelo Fórum Econômico Mundial, listou 50 profissões emergentes para os próximos anos. Entre elas, as principais são especialistas em Inteligência Artificial (IA) e machine learning, especialistas em sustentabilidade, analistas de business intelligence (BI), analistas de segurança da informação, engenheiro de fintech, analistas e cientistas de dados, engenheiros robóticos, especialistas em big data, operadores de equipamentos agrícolas e especialistas em transformação digital.


Nas escolas, professores afirmam que os alunos já começaram a demonstrar interesse em outras áreas, enfatizando a nova realidade prevista em estudos e pesquisas. E mesmo para aqueles que ainda pretendem optar pelas carreiras ditas tradicionais, a meta é fazê-lo sob uma ótica mais moderna e sustentável, oferecendo um novo olhar.


“Percebo o desejo dos estudantes em trabalhar com marketing digital, como gestor de tráfego, analista de mercado e com vendas digitais. Isso sem contar as profissões relacionadas às redes sociais, principalmente às ligadas ao YouTube e ao Instagram. Outra coisa evidente é a vontade de empreender. Muitos ainda têm interesse em cursar uma universidade, mas outros já têm essa visão de pensar no conhecimento voltado ao empreendedorismo”, destacou a professora de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Pensamento Computacional, Naiara Chaves de Carvalho.


Diante desse cenário, a docente observa que o grande desafio das escolas é pensar em competências e habilidades que estejam além das tradicionais do currículo. Ela considera fundamental conversar com os alunos sobre a importância de refletirem que o ponto principal, independentemente se querem ou não seguir carreira acadêmica, é pensar em como o conhecimento vai permiti-los alcançar seus objetivos.


“Ao trabalhar a língua portuguesa, que é meu complemento curricular, por exemplo, tento pensar em experiências de aprendizagem capazes de possibilitar aos meus alunos o desenvolvimento da criatividade, da comunicação, da resolução de problemas e mediação de conflitos, habilidades essenciais para vivermos no mundo de hoje. Essenciais, inclusive, para as profissões que estão surgindo”, explicou Naiara.


Segundo ela, essas reflexões também caminham para mudanças no design da sala, na dinâmica e linguagem das aulas, utilizando novas metodologias e pensando em situações onde os estudantes apliquem conhecimento, seja qual for o contexto. “Outra coisa que eu considero relevante são as habilidades básicas. É essencial que o adolescente entenda como ele aprende melhor, quais são as suas limitações, dificuldades e suas potencialidades para que possam desenvolver autonomia”.


Demanda
Em Santos, as escolas já começaram a seguir as novas tendências, atendendo a demanda dessa nova geração. No Colégio São José, localizado no Gonzaga, a diretora Maria Cleonice Cefaly Machado reforça que tão importante quanto o conhecimento das novas profissões é o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias no mercado de trabalho, hoje e no futuro.


“Investir em aulas que trazem novos olhares para a vida profissional e incluir programas inovadores em sala de aula, que focam assuntos do interesse dos adolescentes, são a estratégia do São José com a implantação das disciplinas eletivas, desde 2017, a partir do Ensino Fundamental II”, ressaltou Cleonice.


Faz parte da matriz curricular da instituição disciplinas eletivas como Educação Financeira, Oficina de Criação Midiática, Estudos Sócio Ambientais e Empreendedorismo, Cidadania e Sustentabilidade e Gamificação na Educação.


“A proposta do Novo Ensino Médio é que os alunos devem cumprir algumas disciplinas em comum, mas terão mais liberdade para estudar o que tem mais afinidade, optando por uma das áreas de conhecimento, proposta pela BNCC. O trabalho realizado com as disciplinas eletivas prepara os jovens para a sua última etapa do Ensino Básico, quando já devem ter uma preocupação maior com a escolha da profissão”, completou Cleonice.


No Ensino Médio do São José, há ainda os itinerários formativos, que aprimoram as competências adquiridas, com opções de cursarem biotecnologia e suas aplicações, jornal digital, energias renováveis e eficiência energética, entre outras opções. Outras ações são os encontros com profissionais, visita às universidades e a disciplina obrigatória Projeto de Vida, proposta no Novo Ensino Médio.


No Santa Cecília, cujo complexo fica no Boqueirão, foi incorporado o itinerário formativo focado no metaverso e na inteligência artificial (IA) para atender à crescente demanda por habilidades relacionadas a tecnologias emergentes. Segundo a diretora-geral, Marilisa Grottone, a IA permitirá que os estudantes mergulhem no universo dos algoritmos, compreendendo não apenas sua mecânica, mas também as questões éticas associadas à automação e à tomada de decisão por máquinas.


“Em 2022, também inauguramos um Laboratório Maker, um espaço de estudos, diversão e descobertas. Eles são a última palavra no que se refere ao aprendizado de ciência e tecnologia no ambiente escolar em qualquer nível. Diretamente influenciados pela cultura Do it yourself (Faça você mesmo), esses espaços multidisciplinares estimulam o aprendizado prático dos alunos”, disse Marilisa.


Os alunos também têm acesso ao InovFabLab, inspirado na tradição norte-americana, iniciada no Massachusetts Institute of Technology (MIT), os fab labs, chamados laboratórios de inovação. É um local de fabricação digital utilizado principalmente na troca de conhecimento ou no desenvolvimento de projetos.


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