Empatia: a solução por meio do escutar e falar

Justiça Restaurativa dá voz e ouvidos à comunidade escolar, promovendo a prevenção contra o bullying

Por: Da Redação  -  05/11/23  -  18:59
Renata Gusmão coordena o programa de Justiça Restaurativa e Educação para a Paz em núcleos santistas
Renata Gusmão coordena o programa de Justiça Restaurativa e Educação para a Paz em núcleos santistas   Foto: Vanessa Rodrigues/AT

“Capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente”. Esta é a definição do Google para empatia, uma palavra muito usada, mas desconhecida por aqueles que praticam bullying e outras formas de violência nas escolas. Desenvolver ou criar esta condição é uma das alternativas para promover um ambiente saudável e livre de agressões.


Por sinal, este é o objetivo de uma ação chamada Justiça Restaurativa e Educação para a Paz, iniciativa que vai se espalhando pelas instituições de ensino. A juíza santista Renata Gusmão, que coordena este programa em vários núcleos santistas, explica como funciona o projeto.


“Praticamos por meio de uma metodologia: o processo circular. É sentar em círculo e abrir espaço ativo e seguro de fala e escuta. É a justiça do diálogo, da pacificação social. Abrimos oportunidade para que jovens, crianças, professores, educadores, orientadores educacionais e coordenadores possam falar e serem ouvidos de forma empática e sem julgamento”, disse.


Segundo ela, isso serve para evitar o surgimento de comportamentos agressivos. “Trabalhamos dando vez e voz a todos os participantes. Isso faz as pessoas se conectarem. Quando nos conectamos, abrimos o interesse pelo indivíduo, pelo ser humano que está do nosso lado. Quando nos interessamos pela história do outro, a possibilidade de causarmos mal e violência diminui”.


Justamente por isto, Renata ressaltou que a Justiça Restaurativa não serve para remediar episódios de bullying, mas para impedir que estes ocorram. “É uma prevenção”.


A juíza também afirmou que, com a utilização deste programa, cria-se um novo paradigma de transformação de relacionamentos. “O primeiro que precisa ser mudado é o meu eu comigo mesmo. Depois, com o meu próximo. Em seguida, com a comunidade onde vivo”.


Tudo isto é baseado na intitulada Cultura de Paz. “É um conjunto de valores, atitudes, modos de comportamento e de vida, que rejeitam a violência e previnem conflitos ao atacar raízes, para resolver problemas através do diálogo, da negociação, da comunicação não violenta entre as pessoas”.


Estando certa de que este recurso é capaz de mudar a realidade nos espaços educacionais, Renata Gusmão acredita que é possível ensinar os jovens a viverem em paz uns com os outros. “A sociedade está violenta. Só que a violência é aprendida, assim como a guerra. É uma construção biológica. Mas, se aprendemos a guerra, também podemos aprender a paz”.


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