Operações por parte da Guarda Civil Municipal descobriram quem estava descumprindo medidas judiciais (Cadu Pinotti/Agência Brasil) O vice-governador Felicio Ramuth (PSD) trouxe, na palestra de abertura do fórum A Região em Pauta, em Santos, a experiência de esvaziamento da Cracolândia, na região central de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo ele, que é coordenador do plano, envolveu ciência, paciência e resiliência, unindo as secretarias de Saúde, Segurança e da área social tanto do Município quanto do Estado, com ações que se integram e se cruzam, há mais de dois anos. “Eu sei que, no evento, falamos de moradores em situação de rua e estou contando essa experiência que tem um outro viés, mas que pode se aproveitar boa parte disso”, afirma. O pontapé inicial foi em abril de 2023, com o Hub de Cuidado com o Crack e outras Drogas, para que os especialistas entendessem a história de cada um e, a partir disso, houvesse o encaminhamento. Experiências pelo mundo, como Lisboa, em Portugal, Amsterdã, na Holanda, e Nova Iorque, nos Estados Unidos, também foram consideradas. O vice-governador Felicio Ramuth (PSD) trouxe, na palestra de abertura do fórum A Região em Pauta, a experiência de esvaziamento da Cracolândia, na região central da Capital (Alexsander Ferraz/AT) “Isso não aconteceu da noite para o dia. É comum dizer que os usuários se espalharam. Hoje, temos 1,5 mil usuários em tratamento nas nossas comunidades terapêuticas e nos nossos hospitais especializados. Todos identificados. Também temos 900 usuários da cidade de São Paulo no Programa Operação Trabalho, que recebem R\$ 1,2 mil para fazer trabalhos de limpeza para a Prefeitura fora da região central”, detalhou Ramuth. Justiça e ampliação Operações por parte da Guarda Civil Municipal fizeram com que se descobrisse quem estava descumprindo medidas judiciais. “E os outros que a Justiça não concedeu mudança passaram a ter medo de serem os próximos de terem pena mudada para o regime fechado. Aquilo deixou de ser terra de ninguém. Eles perceberam a presença do Estado ali. O resultado disso é que foram mil criminosos presos. Imaginem, havia 2,5 mil usuários”. Fechamento de ferros-velhos também integrou a ação. O vice-governador explicou que o método aplicado foi aumentado para mais ruas do entorno. “A Rua dos Protestantes (foco principal) já não tem mais usuários. O que fizemos agora no centro de São Paulo, e é a fase em que estamos agora, foi expandida, oferecendo saúde, assistência e abordagem também da segurança pública, qualificando para que saibamos quem é cada um deles. Na última contagem, em todo o entorno da região central, encontramos 18 que já tinham sido encontrados, mas espalhados em pequenos grupos e nunca com aquela venda e consumo de drogas”, revela. Distribuir comida na rua não é adequado, afirma Ramuth O vice-governador Felicio Ramuth é contra a distribuição de comida nas ruas para pessoas que estão nessa condição. A prática é comum, por exemplo, entre entidades beneficentes e grupos de amigos. “Eles (quem está em situação de rua) também merecem dignidade de poder comer sua refeição, sentados em uma mesa e não marmita. Quem quer ficar comendo marmita na rua? Não devemos desejar algo para as pessoas que não desejamos para nós. Esse negócio de distribuição de comida, por quem quer que seja feito, está errado”, afirma. Ramuth vai além na argumentação, chamando a atenção para o lixo produzido. “Há o efeito colateral, que é uma sujeirada no dia seguinte, com o aparecimento de ratos e, enfim, várias coisas, além do ambiente insalubre”, explica. Embora não condene, o vice-governador reforça a objeção à prática com outra justificativa. “Tem que ter uma boa rede de cuidados de verdade para que eles possam comer em lugar sério e evitar a distribuição de comida por pessoas que, às vezes, querem ajudar. As igrejas fazem muito bem esse trabalho, mas infelizmente fazem não pensando em outras consequências e acabam perpetuando aquele quadro de morador em situação de rua”, emenda. Defensoria Pública tem aproximação e diálogo maiores A aproximação das pessoas em situação de rua foi fundamental para que se construísse um diálogo entre elas e a Defensoria Pública, segundo o defensor público em São Vicente, Gustavo Goldzeig. O trabalho começou quando atuou por mais de uma década em Praia Grande. “Isso me fez enxergar a dificuldade que as pessoas em situação de rua tinham de acessar o serviço da Defensoria Pública, instituição voltada ao atendimento desse público. Embora seja uma instituição de portas abertas e com atendimento multidisciplinar, com psicólogos e assistentes sociais que nos auxiliam, essas pessoas não conhecem o serviço e, muitas vezes, têm dificuldade de se deslocar porque é distante de onde se encontra”, afirma. A aproximação das pessoas em situação de rua foi fundamental para que se construísse um diálogo entre elas e a Defensoria Pública, segundo o defensor público em São Vicente, Gustavo Goldzeig (Alexsander Ferraz/AT) Além do contato com as pessoas, Goldzeig lembra que a Defensoria também começou a conversar com a rede de serviços da assistência social, de saúde e segurança de Praia Grande. “Isso acabou gerando um diálogo maior para que a questão fosse tratada no regional, levando inicialmente a reuniões com os serviços de diversos municípios da Baixada Santista. Isso levou, inclusive, à criação de um fórum regional de população em situação de rua, em que elas fossem trazidas para participar dessas reuniões, isso lá em 2016, 2017”, relembra. A aproximação da Defensoria com esse público segue firme, segundo Goldzeig. “Foi feito todo um planejamento para que, a partir deste ano, criássemos estruturas de melhor atendimento dessa população na Defensoria, para que saia de suas unidades e vá aonde essas pessoas estejam, com van e tudo mais. Isso também permite nossa coleta de dados, uma qualificação do nosso atendimento”, detalha.