Conexão total entre as instituições de ensino e as empresas, com adequação dos currículos, é o objetivo (Sílvio Luiz/AT) Uma formação que garanta a empregabilidade e esteja antenada com as demandas do mercado. Para que isso aconteça, uma conexão total entre as instituições de ensino e as empresas, com adequação dos currículos sempre que necessário. Esse foi um dos pontos debatidos durante encontro do projeto A Região em Pauta, realizado na tarde desta quinta-feira (21), no auditório do Grupo Tribuna, sobre Ensino Técnico. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Representantes de empresas e de instituições de ensino se dispuseram a alinhar expectativas por uma formação mais assertiva dos novos profissionais. “As empresas têm que entender que não se trata de pegar o produto pronto, ou seja, a gente entregar o aluno para eles já pronto. Porque esse aluno já vai conhecendo os valores da empresa, aquilo que ela espera dele e vai se adaptando”, afirma o coordenador de projetos do Centro Paula Souza (CPS), Ângelo Alvarez. Para ele, a qualidade na formação passa por esse entendimento. “Eles vão ter profissionais muito mais qualificados do que apenas esperar ficarem prontos. Se não ouvirmos o mercado, não se gera empregabilidade.” Para o diretor das unidades do Senai em Santos e Cubatão, Daniel Silva, “a gente precisa entender que, cada vez mais, temos que investir no jovem, Com isso, o sucesso é garantido, porque você já traz o jovem com uma perspectiva grande de carreira. Ele gera renda, tem condição de continuar estudando, sem ter que priorizar outras situações”. Daniel Silva: “Cada vez mais nós temos que investir no jovem” (Sílvio Luiz/AT) Leandro Fabrício Campelo, diretor-adjunto de Pesquisa e Inovação do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), lembra que a instituição possui uma agência de inovação. “A gente visita as empresas e fecha essas parcerias. Então, dependendo da demanda, o Instituto Federal está preparado para atender. Quando o campus Cubatão não atende, temos uma rede”, reforça. Na palestra que encerrou o evento, o presidente do Centro Paula Souza (CPS), Clóvis Dias, foi direto: o Ensino Técnico é a “força motriz” de uma nação que deseja se desenvolver. “Mas temos que começar a inserir em nossos currículos, a trabalhar no nosso aluno, a capacidade de aprender”, pondera. Empresas A discussão também teve a participação de empresas que atuam no setor portuário. De acordo com o gerente-geral de operações da empresa Transtec World, Marcos Vinícius, o diploma de curso técnico não é uma exigência, mas reflete uma preferência. “Não temos uma restrição quanto à qualificação, mas quem tem um curso técnico a gente vê de outra forma”, admite. A coordenadora de Sustentabilidade Social da Santos Brasil, Marjorie Samaha, acredita que o Ensino Técnico tem um poder transformador sobre o jovem. “É permitir que o jovem estude no técnico. Seja onde for, permite a mobilidade social. Esse jovem passa a ter o poder de escolha sobre a sua vida e não necessariamente ele fica subjugado à condição social que ele está inserido naquele momento.” A analista de Desenvolvimento de Gente & Gestão da Portocel, Camila Maganin, traça um perfil do mercado de trabalho encontrado em Santos — a matriz da empresa fica no Espírito Santo. “Quando eu iniciei o processo de recrutamento, percebi que os currículos tinham formação no Ensino Técnico. Não é uma obrigatoriedade para controladores de carga, por exemplo, mas a gente visa à prioridade. Sentimos que as pessoas foram bem preparadas.” Na edição do dia 31, A Tribuna publicará material completo sobre o encontro promovido na tarde desta quinta-feira (21).