Administração e Direito lideram ranking de cursos escolhidos na Baixada Santista (Helloquence/Unsplash) O ensino técnico é uma das alternativas mais promissoras para os jovens brasileiros que terminam o ensino fundamental ou o ensino médio e ainda não têm certeza sobre qual caminho seguir. Muitas vezes, a escolha entre seguir direto para a faculdade ou entrar no mercado de trabalho parece difícil demais. É justamente aí que entra o papel do curso técnico: preparar em pouco tempo, com qualificação prática e alinhada às necessidades do mercado. No Brasil, segundo o Censo Escolar de 2022, cerca de 2 milhões de estudantes estavam matriculados no ensino técnico. O número ainda é pequeno diante do potencial, já que países desenvolvidos, como Alemanha e Coreia do Sul, têm uma proporção muito maior de jovens optando por essa formação. Essa diferença mostra que ainda precisamos valorizar e dar mais visibilidade a essa opção. Na Baixada Santista, o ensino técnico tem uma importância ainda mais estratégica. A região concentra o maior porto da América Latina, em Santos, e um polo industrial robusto em Cubatão. Juntos, esses setores demandam profissionais qualificados em logística, automação, química, tecnologia da informação, segurança do trabalho, eletrotécnica, meio ambiente e muitas outras áreas. O jovem que escolhe um curso técnico alinhado a uma dessas áreas tem grandes chances de ingressar rapidamente em setores dinâmicos e com boas perspectivas de crescimento. E não faltam instituições de excelência. As Escolas Técnicas do Centro Paula Souza são referência em várias formações. O Instituto Federal de São Paulo (IFSP) – Campus Cubatão também é um grande exemplo de ensino público gratuito e de qualidade - e está em expansão, com três novas unidades na região em breve. Além disso, há dezenas de cursos oferecidos pelo Senai, em suas unidades de Santos e Cubatão, onde os jovens ingressam durante o ensino médio. Essas instituições não apenas ensinam teoria, mas formam profissionais prontos para os desafios práticos do dia a dia. O que ainda falta é ampliar a divulgação dessas oportunidades. Muitos jovens da educação básica sequer conhecem todas as opções disponíveis, ou têm a impressão de que o ensino técnico é um “plano B” diante da universidade. Na prática, ele pode ser o primeiro passo para uma carreira sólida – inclusive porque nada impede de, mais tarde, seguir para o ensino superior já com experiência no mercado. Investir em ensino técnico significa apostar em um futuro mais inclusivo, onde os jovens têm acesso a oportunidades reais de crescimento e a região conta com mão de obra qualificada para sustentar seus setores estratégicos. Na Baixada Santista, isso é ainda mais urgente: o porto e o polo industrial são motores de desenvolvimento que precisam de profissionais preparados para manter a engrenagem girando. *Arminda Augusto é gerente de Projetos do Grupo Tribuna.