Macedo falou que o País enfrenta problema para financiar o setor (Alexsander Ferraz/AT) A tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) para custeio de procedimentos precisa ser atualizada. Esta é a avaliação de especialistas presentes no fórum do projeto A Região em Pauta. A defasagem dos valores acarreta em problemas, entre os quais está a fila para a realização de cirurgias. Um dos convidados do evento que se manifestou a respeito do tema foi o diretor técnico da Santa Casa de Santos, Alex Macedo. Em sua participação, ele afirmou que “nós continuamos tendo o problema de financiamento da saúde no País. Desde 2008, a tabela do SUS não tem um reajuste efetivo, e o custo da saúde subiu”. Diante disso, em muitos momentos, a verba federal não é suficiente. O secretário de Saúde de Guarujá, Fábio Mesquita, deu um exemplo do que costuma acontecer. “Por que uma cirurgia ortopédica demora oito anos? Porque o que o Sistema Único paga em uma prótese é ridículo, não dá para cobrir uma prótese. Então, é correto que os ortopedistas não queiram fazer a cirurgia, porque eles vão ter que pôr dinheiro do próprio bolso para pagar aquela operação”, opinou. O secretário de Saúde de Santos, Fábio Lopez, afirmou que seu município enfrenta problema parecido, mas com outra especialidade. “Hoje, uma das maiores filas na cidade é de cirurgia de catarata em ambiente hospitalar. E quanto é a tabela SUS para esse procedimento? Por essa operação, é claro que, se eu procurar a Santa Casa ou qualquer outro hospital, vou ouvir que não é possível praticar esse valor”. Macedo admitiu que, muitas vezes, o que é pago pela esfera pública não fecha a conta. Mesmo assim, segundo ele, locais que possuem convênio com o SUS, como é o caso do hospital onde trabalha e do Santo Amaro, de Guarujá, costumam gastar mais do que deveriam para não deixar a população desassistida. “Temos um contrato para atendimento ao SUS. Ele é baseado em um teto financeiro de alta complexidade. Porém, a gente está extrapolando os valores frequentemente”. Outro desafio Diante de tudo isso, Mesquita defendeu que “o correto seria uma tabela SUS atualizada, inclusive do ponto de vista tecnológico”. Porém, na visão do especialista, este não é o único problema a ser solucionado pelo Ministério da Saúde. Há mais um: controlar a utilização dos recursos. “Talvez, um dos principais desafios que a gente tenha seja supervisionar seja a aplicação das verbas, porque isso não acontece. Às vezes, o dinheiro chega, vai ao município, ao Estado e acabou. Não se tem mais um controle sobre como aquilo está sendo usado dentro dos princípios do Sistema Único de Saúde”, disse.