“Pessoa não está na rua porque quer”, afirma (Alexsander Ferra/AT) Professora no curso de Serviço Social da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp-Baixada Santista), Sônia Nozabielli defende que é necessário olhar individualmente e pensar de maneira coletiva a respeito da população em situação de rua. “A gente continua como cidade, como pessoa, produzindo discriminação e preconceito, achando que quem está na rua é estrangeiro, não é daqui, não nasceu aqui, não é dessa cidade e nem é problema da gente. Então, acho que precisamos expandir a reflexão, entendendo que precisamos, sim, de muitos apoios, de políticas públicas, de sociedade, de empresários, de fazer um amplo debate porque, no fundo, esse tema tem a ver com o direito à cidade e o que estamos construindo nesse sentido. Falar de população em situação de rua é falar de pobreza urbana”, argumenta. Premissas e poucos avanços A premissa básica é que o Brasil, segundo a professora, precisa entender os integrantes da população em situação de rua como pessoas. “É assim que diz a Constituição: todos são iguais perante a lei, independentemente de qualquer condição. E essa premissa já é negada para quem vive na rua”, lembra. “E entender que essa pessoa não está na rua por desejo individual, ainda que a sua história, a sua relação familiar, a questão que ela vivencia tenha motivado a ida para a rua”, emenda. A partir desse raciocínio, Sônia chama a atenção para o segundo passo que tem de ser compreendido. “A situação de rua é decorrente de uma questão que é social, mas não é só isso porque o social, no geral, é entendido como assistência social. Existem também o aspecto político, o econômico, o urbano, a saúde, a educação e a cultura. Isso é o social, é a dimensão coletiva e pública da nossa vida”, define. Dentro disso, a professora lembra que houve poucos avanços. “A própria construção da política pública exige o trabalho das organizações, das comunidades e das igrejas. Isso é fato e é assim desde o século 14, quando se criaram na Inglaterra as chamadas leis dos pobres. O que temos feito hoje muitas vezes no âmbito da assistência social é muito similar ao que se fazia na Inglaterra nessa época. Avançamos muito pouco”, finaliza.