Conforme dados de maio deste ano, há 1.590 pessoas que se declaram como estando em situação de rua (Vanessa Rodrigues/AT) O secretário de Desenvolvimento Social de Santos, Elias Júnior, defende que a Cidade tem de liderar movimento com os demais municípios da Baixada Santista sobre as pessoas em situação de rua. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Quando se trata do social, todas as cidades são importantes porque, como exemplos, o cidadão de São Vicente muitas vezes está nas ruas de Santos, enquanto o de Santos está nas do Guarujá. Um trabalho integrado de todas as cidades facilita muito para que a gente cumpra nosso objetivo principal: reintegrar as pessoas no âmbito da assistência social”, argumenta. “Já tive agendas com os secretários da área de Guarujá e de São Vicente”, emenda. Conforme dados de maio deste ano, há 1.590 pessoas em Santos que se declaram nessa situação, a partir do trabalho da pasta para inserção no CadÚnico — ferramenta que permite ao Governo Federal identificar quem está em situação de pobreza ou de extrema pobreza, dando acesso a programas como o Bolsa Família e a iniciativas estaduais e municipais. O mais recente censo em Santos sobre o tema é de 2019, feito em conjunto entre Prefeitura e Unifesp e divulgado no ano seguinte. Na ocasião, foram contabilizadas 1.146 pessoas. “Estive na Unifesp e vamos retomar esse censo, ainda em 2025, para atualizar todo aquele trabalho”, disse. Elias Júnior: censo em 2025 (Alexsander Ferraz/AT) Estrutura Segundo a Prefeitura, há atualmente 250 vagas em cinco abrigos para atender essas pessoas, sendo que um deles de caráter emergencial para os dias mais frios e que funciona em regime de pernoite, das 19h às 7h. Há o trabalho da abordagem social. O Centro Pop é a porta de entrada e fica no Bairro Paquetá. Ele oferece banho, alimentação e acolhimento institucional, com encaminhamento para documentação, atendimento de saúde, informações e acesso a programas de preparo para ingresso no mundo do trabalho. Existem também programas, como o Fênix de inserção no mundo do trabalho - e que dobrou de 100 para 200 vagas -, para pessoas entre 18 e 65 anos. Há também o chamado recâmbio qualificado - de janeiro a maio, 144 pessoas manifestaram desejo de retorno para suas cidades. Comitê temático é criado em Guarujá A criação recente do Comitê Gestor Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento do Plano Municipal para a Garantia de Direitos das Pessoas em Situação de Rua é valorizada por Guarujá. Entre as atribuições, está a realização periódica de contagens oficiais da população em situação de rua. “Estamos aperfeiçoando os mecanismos. O objetivo é fornecer informações mais precisas que orientem a formulação de políticas públicas integradas, inclusivas e eficazes”, afirma a Administração. O município registra 429 pessoas nessa condição, conforme dados do CadÚnico. O Acolhimento Institucional José Calherani e o Centro Pop, ambos no Jardim Boa Esperança, em Vicente de Carvalho, contam com, segundo a Prefeitura, refeições, espaço para pernoite, banho quente e apoio social. “Caso a população identifique alguém em situação de vulnerabilidade pelas ruas, pode acionar a equipe do Centro POP pelo telefone (13) 3384-2756”, acrescenta. São Vicente Em São Vicente, de acordo com o levantamento do CadÚnico, são 767 pessoas em situação de rua, sendo que 549 já recebem o benefício do Bolsa Família. “A Vigilância Socioassistencial do Município está em fase de planejamento para a realização de um novo censo”, revela. O município oferece atendimento no Centro Pop, que realiza acolhimento e todos os cuidados, além de diversos serviços, como atendimento social, espaço de convivência com TV, biblioteca e rodas de conversa, fortalecimento de vínculos e articulação com OSCs (Organizações da Sociedade Civil). “Já para acolhimento temporário, há a Casa de Passagem Reviver, voltada a pessoas com chance de reintegração social. Em todos os atendimentos, as equipes técnicas avaliam a possibilidade de reintegração familiar, podendo utilizar recursos para viabilizar o retorno ao lar ou ao Município de origem. Caso algum morador identifique alguém em situação de rua, pode acionar a abordagem social pelos telefones (13) 97825-0588 e (13) 3467-9301”, explica. Praia Grande: gerar vínculo e integração em programas Em Praia Grande, a Secretaria de Assistência Social contabiliza cerca de 300 moradores em situação de rua. O número é baseado nos atendimentos efetuados pelas equipes sociais. Técnicos do setor estão analisando a possibilidade da realização de um estudo relacionado a essas pessoas. A cidade conta com o Centro Pop, a Casa de Estar Ferdiano Alves de Oliveira e o Abrigo Solidário Eliane Malzoni. A Prefeitura também cita o Consultório na Rua, onde os atendimentos são feitos nos bairros, em veículo com sala reservada, vacinas e exames. “O desenvolvimento do programa tem sido determinante para a ampliação do acesso aos serviços de saúde da população de rua. Outra função importante é gerar vínculo com essas pessoas para poder inseri-las em algum tipo de programa que a Prefeitura realiza, como habitação, cidadania e saúde”, argumenta a Administração. Em Cubatão, a Secretaria de Assistência Social registra 107 pessoas nessa condição. Há o serviço de abordagem social, com motorista, assistente social e técnico de promoção social para efetuar cadastro prévio da pessoa e fazer ofertas disponíveis no setor. “Por isso, acreditamos que não se faz necessário um censo, uma vez que o trabalho já é realizado pelo serviço”, afirma a Administração. Existem dois espaços de acolhimento com alimentação e atendimento psicossocial: o Acolhimento Reintegra, na Vila Couto, e a Casa de Emaús, na Vila Nova, com, respectivamente, 30 e 15 vagas. Os locais contam com banho, alimentação, vestuário, encaminhamento e acompanhamento de saúde, encaminhamento para retirar e atualizar documentação e reinserção no mercado de trabalho. A rede municipal também possui Centro Pop e, caso seja necessário fazer recâmbio para a cidade de origem, a Secretaria dispõe de carro, depois de o município de destino ser contactado.