Sandra defende união à família e amigos para enfrentar a doença (Alexsander Ferraz/AT) Saúde mental, apoio de família e amigos, e muita compreensão e acolhida. O caminho da cura do câncer de mama também passa pelo bem-estar da paciente, como indica a psicóloga Sandra Tarricone. “A importância da saúde mental, de se sentir bem, é um compromisso que a mulher deve ter naturalmente. E a pessoa que passa por esse tipo de situação precisa também cuidar disso. O suporte psicológico, o suporte emocional, ele é tão importante quanto o aspecto físico do tratamento e da própria doença”, afirma. Segundo ela, quando esse amparo existe, a mulher consegue lidar com essas sensações novas que vão surgir, como o medo, a ansiedade e a incerteza. “Ela está num momento que vai se desorganizar emocionalmente e precisar se organizar. E isso vai levar um tempo, que varia de mulher para mulher”. Sandra reforça que a parte multidisciplinar faz diferença. “Cada profissional dentro da sua área vai ajudá-la”. Família e amigos A psicóloga entende que o câncer não atinge só o paciente, mas a família também — afetada também pelo medo da perda da pessoa amada. “Assistir a quem você ama sofrer, às vezes é muito mais difícil do que você ter a doença. Então, incentivo muito o paciente a buscar apoio com os familiares e amigos”, explica. “Os amigos, de modo geral, se aproximam num primeiro momento. Aí a doença vai se arrastando, o tratamento corre, e eles vão meio que se afastando. Porque eles também não têm o suporte emocional para lidar com a dor do outro. Agora, quem está sempre junto é a família, que não abandona”, diz. Sem culpa Sandra também pede que uma paciente que, eventualmente, tenha demorado para pedir ajuda, não seja culpada por isso. “Quando ela chega ao médico, peço que não culpem essa mulher porque ela atrasou em procurá-lo. Para chegar até ali, o imaginário já pensou em tudo. A gente não pode botar mais medo”, ensina a psicóloga.