Entre Ruas e Redes: Conexões para a Dignidade foi o tema do painel promovido no A Região em Pauta (Alexsander Ferraz/AT) O secretário de Desenvolvimento Social de Santos, Elias Júnior, anunciou que, neste ano, a Cidade realizará um novo censo para confirmar a quantidade de pessoas em situação de rua. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A revelação foi feita no fórum A Região em Pauta, realizado na tarde desta segunda-feira (30) no auditório do Grupo Tribuna. O evento, do qual o secretário era um dos convidados, tratou da população em situação de rua no painel Entre Ruas e Redes: Conexões para a Dignidade. “Estive na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) conversando com o diretor (acadêmico do Campus Baixada Santista) Odair (Aguiar Junior) e vamos retomar esse novo censo, ainda em 2025, para atualizar todo aquele trabalho, com as lições que foram aprendidas, as iniciativas que foram positivas e revisitando algumas outras do último censo”, afirma. O anterior, feito em 2019 em conjunto entre Prefeitura e Unifesp, divulgado no ano seguinte, contabilizou 1.146 pessoas em situação de rua. Conforme dados de maio deste ano, há 1.590 pessoas em Santos que se declaram nessa situação. Os números foram trazidos pelo secretário Elias Júnior, a partir do trabalho da pasta para inserção no CadÚnico — ferramenta que permite ao Governo Federal identificar quem está em situação de pobreza ou de extrema pobreza, dando acesso a programas como o Bolsa Família e a iniciativas estaduais e municipais. O defensor público em São Vicente, Gustavo Goldzveig, defende trabalho coordenado entre as prefeituras. “Não necessariamente a política vai ser a mesma em cada município, mas tudo precisa funcionar muito bem. Justamente porque a população anda pelas cidades, levando em conta a característica de cada uma delas.” Professora no curso de Serviço Social da Unifesp Baixada Santista, Sônia Nozabielli valoriza a importância dos dados, aliados a outra condição. “O Brasil precisa entender a população em situação de rua como pessoa igual às outras”, afirma. LGBT+ O secretário Elias Júnior também deixou o compromisso de instituir, no planejamento do Município, um serviço de acolhimento e convivência para o público LGBT+ em situação de rua. “Quando cuido dos outros, estou cuidando de mim. E, quando eu cuido de mim, cuido do mundo todo”, sintetiza Priscylla Coutinho, fundadora do Coletivo Donnas da Rua, que atua com este público. Ação integrada esvaziou Cracolândia, afirma vice Ciência, paciência e resiliência, unindo as secretarias de Saúde, Segurança e da área social do Município e do Estado, com ações que se integram e se cruzam, há mais de dois anos. A partir disso, a Cracolândia, na região central da Capital, foi esvaziada. Assim descreveu, na palestra de abertura do A Região em Pauta, o vice-governador Felicio Ramuth (PSD), coordenador desse plano. O pontapé inicial foi em abril de 2023, com o Hub de Cuidado com o Crack e outras Drogas. “Isso não aconteceu da noite para o dia. É comum dizer que os usuários se espalharam. Hoje, temos 1,5 mil usuários em tratamento nas nossas comunidades terapêuticas e nos nossos hospitais especializados. Todos identificados. Também temos 900 usuários da cidade de São Paulo no Programa Operação Trabalho, que recebem R\$ 1,2 mil para fazer trabalhos de limpeza para a Prefeitura fora da região central”, detalhou Ramuth. Operações por parte da Guarda Civil Municipal fizeram com que se descobrisse quem estava descumprindo medidas judiciais. “E os outros que a Justiça não concedeu mudança passaram a ter medo de serem os próximos de terem pena mudada para o regime fechado. Aquilo deixou de ser terra de ninguém. Eles perceberam a presença do Estado ali. O resultado disso é que foram mil criminosos presos. Imaginem, havia 2,5 mil usuários”. No domingo (6), A Tribuna publicará conteúdo especial sobre o tema, ampliando o debate do fórum.