Lotação das UPAs preocupa o secretário Fábio Lopez; Michelle Santos quer atuação integrada das cidades (Alexsander Ferraz/AT) Muitos são os problemas encontrados na Baixada Santista em relação à Saúde. Há falta de leitos hospitalares e demora para cirurgias, inclusive eletivas, entre outras dificuldades. Diante deste cenário, surgem caminhos a fim de se chegar a uma solução. E, embora muitas ações sejam necessárias, uma coisa é essencial: que os municípios que compõem a região unam forças e trabalhem juntos em prol da população. Esta é a avaliação da secretária de Saúde de São Vicente, Michelle Santos. Participante do quarto fórum deste ano do projeto A Região em Pauta, que ocorreu na última segunda-feira no auditório do Grupo Tribuna, em Santos, ela afirmou que não é possível tratar do tema se não for de maneira regional. “Nossas cidades são divididas, às vezes, apenas por um semáforo, e a gente vê que a população permeia, realmente, todos os municípios. Ela trabalha em um lugar, mora em outro e transita por quase toda a Baixada. Então, devemos ver o problema da região. Temos de deixar de olhar o nosso umbigo e olhar para o regional”, afirmou. Tal compreensão não é só da vicentina. A ideia é compartilhada. Tanto é que o secretário de Saúde de Santos, Fábio Lopez, declarou que “precisamos individualizar as ações, mas também trazer a discussão geral”. O secretário salientou, “alguns números nos incomodam e envergonham”. Neste sentido, uma das necessidades, de acordo com Fábio Lopez, é tratar da superlotação de unidades de pronto-atendimento (UPAs). Outro é dividir os custos, para que ninguém fique sobrecarregado. “Necessitamos de uma ação voltada para isso e com esse olhar. Atuamos visando a qualidade de vida da pessoa e do atendimento, mas eu tenho responsabilidade com o custeio disso. Hoje, temos uma UPA em Santos atendendo 30% da Baixada. A cidade tem uma responsabilidade regional, e sempre foi assim, mas nós precisamos trazer soluções”, frisou Lopez. Ação integrada Os trabalhos das cidades, no sentido de atuarem lado a lado a fim de resolver os problemas, já tiveram início. Uma das ações coletivas é unificar a comunicação de vagas com a Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross), do Governo de São Paulo. Existe a compreensão de que a adoção desta medida pode facilitar o acesso às vagas hospitalares existentes. Esta movimentação, que passa pelas secretarias municipais da área, se dá por conta de um problema já constatado: o Estado não tem ideia exata das vagas da região que podem ser oferecidas. Isso porque, enquanto algumas cidades informam o governo por meio do Cross, outras prefeituras fazem uso do Sistema de Regulação (Sisreg), vinculado ao Ministério da Saúde. Como as plataformas não dialogam, a notificação de leitos passa a ser imprecisa. Com o objetivo de equacionar a questão, começou um processo de universalização na transmissão de dados. “Vamos fazer a união de sistemas, para ficar mais clara a regulação de vagas. Demos início, tentando entender como fazer a comunicação do Sisreg e do Cross. Esperamos avançar este ano”, disse Lopez.