Priscylla Coutinho: quebra dos laços familiares leva LGBT+s às ruas (Alexsander Ferraz/AT) A fundadora do coletivo Donnas da Rua, Priscylla Coutinho, enfrentou a dor das ruas e que se amplificou em razão do preconceito, por ser uma mulher trans. Ela foi expulsa de casa após levar uma surra do pai com uma corrente de bicicleta. “Um dos primeiros acontecimentos que levam uma pessoa LGBT+ a estar em situação de rua e de extrema vulnerabilidade social é o rompimento dos laços familiares. Ela se assume, se identifica, sai do armário e a família, ainda com aquela mentalidade conservadora e um pouco ultrapassada, coloca essa pessoa na rua, que foi o meu caso. Nesse momento, a pessoa perdeu todas as estruturas e começa a sentir dificuldades por ser uma pessoa que não é considerada normal para a sociedade machista e preconceituosa”, afirma. Atualmente estudante de Serviço Social, redutora de danos e agente de prevenção da Coordenadoria de Controle de Doenças Infectocontagiosas (CCDI), em Santos, Priscylla faz do Donnas da Rua, que atua diretamente com este público, um espaço de criação de geração de renda para mudar a realidade dessas pessoas. “Já tiramos 18 meninas e quatro homens trans da boca de fumo e mais 15 meninas da casa de cafetina, da situação de rua e, hoje, elas alugaram o seu cantinho, sustentando-se fazendo o seu artesanato. E, depois, seguindo os meus passos, já temos meninas fazendo cursos técnicos, que tiraram habilitação e que também foram para a redução de danos, entendendo que há um ser político porque a redução de danos é o meu modo de vida”, explica. Compromisso A ausência em Santos de um serviço de acolhimento e convivência para as pessoas LGBT+ em situação de rua fez com que o questionamento fosse gerado e, por consequência, trouxe também um compromisso do secretário de Desenvolvimento Social, Elias Júnior: de instituir, no planejamento do Município, um espaço desse tipo, ainda que sem prazo definido, mas “no menor tempo possível”, segundo ele. “O que eu pedi para a Priscylla foi justamente para que ela me ajude com os indicadores, com os números dentro desse trabalho que ela já realiza, quais são os do município e de que forma a gente vai trabalhar esse público”, afirma o secretário, que já conversou em outras ocasiões com a fundadora do Donnas da Rua. “Já fiz vários acolhimentos de público LGBT+ nas madrugadas, e temos, sim, um olhar muito especial. Posso responder pela equipe que está hoje. Temos um cuidado todo especial no direcionamento e na institucionalização dessas pessoas, se elas estiverem em situação de rua e se elas aceitam adentrar em nossos equipamentos públicos”, comenta Elias.