Arthur Chioro destacou que, hoje, há mais de 300 faculdades no Brasil (Alexsander Ferraz/AT) O número de cursos de Medicina, em todo o Brasil, aumentou vertiginosamente. De 2000 para 2019, o crescimento foi de 214,9%. Atualmente, a quantidade de capacitações segue em elevação. O ex-ministro da Saúde e atual presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Arthur Chioro, participou do quarto fórum deste ano de A Região em Pauta e fez comentários sobre este cenário. Segundo ele, o salto teve seu início em 2018, quando o governo federal, até então chefiado pelo ex-presidente Michel Temer (MDB), determinou o adiamento da abertura de novos cursos. “Por meio da Portaria 328, foi decretada uma moratória de cinco anos. O objetivo era uma reorientação da formação médica no País. Entretanto, o que se observou, a partir dali, foi uma explosão da abertura de novas vagas e novas escolas”, salientou. O especialista explicou o porquê do aumento. Ele afirmou que, no período de vigência da determinação federal, muitas instituições buscaram a Justiça, a fim de iniciar novas faculdades. Como as universidades foram ganhando o direito da abertura nos tribunais, a oferta de cursos atingiu números nunca vistos. “O momento da moratória foi quando mais se criou vagas de Medicina. Vínhamos com 112 cursos autorizados até 2013 e chegamos a 148 em 2016. Então, em 2023, estamos em 257 e, hoje, a mais de 300”, destacou, enfatizando também que, diante da existência de mais pedidos de liminares, a tendência é de que o total se torne maior em breve. Dados trazidos ao evento pelo ex-ministro de Estado mostram que, de 2013 a 2017, ou seja, antes da moratória, foram inaugurados, em média, sete cursos por ano em todo o País. Já em 2022, foram iniciadas 24 novas faculdades. Por fim, o presidente da Ebserh destacou que, apesar do boom de capacitações, as vagas que surgiram se concentraram em grandes centros. “Antes, havia a intenção de abrir escolas mais para o interior, porque locais como Guarulhos, com um milhão de habitantes, não tinham faculdade, assim como São Caetano (do Sul) e Piracicaba, que são municípios importantes do Brasil. Mas, esta ideia de interiorizar ‘dançou’. Quando olhamos a abertura de capacitações, vemos que abriram onde já tinha. Em São Paulo, o número duplicou, triplicou, quadruplicou”, ressaltou Arthur Chioro.