José Wilson lembra que o primeiro relato de utilização da planta ocorreu 2.700 a.C. (Pixabay) O médico e vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, José Wilson Nunes Vieira de Andrade, diz que é preciso desmistificar o uso da Cannabis para fins medicinais. Para o especialista, os produtos derivados da planta devem ser vistos apenas como remédio no tratamento de diversas doenças para as quais já há evidências científicas. José Wilson disse, ainda, que o Brasil é o país onde os estudos sobre os benefícios do óleo estão mais avançados, mas que ainda é preciso vencer a barreira do preconceito e da falta de conhecimento para que esse processo avance ainda mais. Ele reconhece, porém, que os investimentos em pesquisa são altos, e que há uma outra questão que precisa ser encaminhada: o preparo dos médicos para fazer uso desse medicamento. “Nós não aprendemos sobre a cannabis na faculdade. Como qualquer outro Andrade destacou que não existem diferenças entre itens fabricados a partir de substâncias presentes na planta, como canabidiol (CBD) e tetra-hidrocarbinol (THC), para outros mais conhecidos e produzidos pela indústria farmacêutica. Prova disso é que o procedimento para prescrição é padrão. “Você vai a uma consulta médica e vê se o remédio se aplica ao seu problema, porque não é para todo mundo. Não vale para todas as patologias… Tem momento correto (para ser administrado) e uma dose correta. Então, encare como mais um medicamento. Vamos desmistificar essa história”, reiterou. “A Cannabis medicinal nada mais é do que uma ferramenta no arsenal terapêutico. É só mais um remédio. Apenas isso”, falou. Antigo O vice-presidente da associação também trouxe um breve histórico a respeito da utilização da Cannabis. José Wilson Nunes Vieira de Andrade contou que, segundo registros, o uso começou há milênios. “Não existe nenhuma novidade aqui. O primeiro relato escrito foi em 2.700 antes de Cristo (a.C.). Além disso, era a base da medicina chinesa tradicional nessa época”, mencionou o especialista. “Já o primeiro artigo com Cannabis e epilepsia foi publicado em 1838, feito por um médico irlandês, que observou o efeito anticonvulsivo em bebês”.