Empresas devem buscar preparar o ambiente para receber PcDs (AdobeStock) O segundo painel do evento A Região em Pauta – Inclusão discutiu os desafios da empregabilidade de pessoas com deficiência. O ator e palestrante Samuel Sestaro abriu a mesa contando sua trajetória. Ele lembrou que estudou em escola regular, se formou em design de moda e administração e buscou espaço em diversas áreas. Para ele, a metodologia do emprego apoiado foi decisiva. “Entrei no processo seletivo mediado pela Juliana Righini e fui selecionado para trabalhar em uma rede bancária. Foi uma experiência de muito crescimento”. A assistente social Juliana Righini explicou que o emprego apoiado, criado nos EUA e adotado no Brasil nos anos 1980, é um processo estruturado em três fases: avaliação do perfil, busca ativa de vagas e acompanhamento após a contratação. “Nosso objetivo não é caridade, mas garantir que a pessoa contribua de fato para a cadeia produtiva”. Já a advogada Marcela Fonseca, membro da Comissão Permanente da Comissão de Acessibilidade da Prefeitura de Santos, destacou que a inclusão não pode se limitar à abertura de vagas. Para ela, as empresas precisam adotar uma cultura organizacional que favoreça a permanência e o crescimento profissional. “É direito da pessoa com deficiência estar no mercado de trabalho, e obrigação do empregador receber. Isso exige liderança inclusiva, plano de carreira e visão de progresso dentro da empresa”. O presidente do Lar das Moças Cegas, Carlos Antônio Gomes, o Calucho, reforçou as dificuldades de quem perde a visão na vida adulta. Segundo ele, muitas empresas encaram deficiência como incapacidade, quando o que falta é adaptação. “As barreiras não estão na pessoa, mas no ambiente que não se prepara para recebê-la”. Do ponto de vista empresarial, o coordenador de RH da Ecovias Imigrantes, Rafael Souza da Silva, apresentou iniciativas da concessionária, como parcerias com institutos especializados e programas de aceleração de carreira. Ele destacou que, além de abrir vagas, é necessário preparar equipes de recrutamento e gestores para atuar de forma inclusiva. “Trabalhamos junto às famílias, fizemos capacitações internas e conseguimos criar oportunidades reais. O resultado é um ambiente mais diverso e produtivo”. Ao final, ficou evidente que o mercado de trabalho inclusivo depende não apenas de leis, mas de uma mudança cultural profunda. Como resumiu Juliana, “o emprego apoiado não é caridade. É uma estratégia para que todos tenham oportunidade real de contribuir e crescer no ambiente profissional”.