Atividade industrial exibe novas demandas e, com isso, os cursos precisam de espaço para atualizações (Arquivo) O dinamismo do mercado de trabalho oferece um desafio extra ao ensino técnico: tornar suas grades mais aderentes ao que as empresas precisam e suficientemente interessantes para manter os estudantes. Assim, cada instituição busca adaptar suas grades às competências exigidas pelas empresas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “No Centro Paula Souza, existe acompanhamento com a empresa desde os 14, 15 anos, É quando ele vê que tem possibilidade de mudar de vida. Quando ele chega na Fatec, com 18 anos, já está apto ao mercado de trabalho, as empresas absorvem como estagiários. A IBM, de 20 estudantes que ela acompanhou em cinco anos, contratou 17 não como estagiário, mas como funcionário”, descreve o diretor do CPS, Daniel Silva. Ele cita um exemplo do grau de exigência da empresa, mas que faz diferença para o futuro do profissional. “Aos 17 anos, quando ia passar para o ensino superior, eles precisaram fazer um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). A IBM obrigou eles a apresentarem em inglês. Disseram ‘só contratamos gente que fala inglês. Se querem trabalhar para mim, vai ser assim’. Ou seja é uma transformação de vida. Por essas iniciativas, percebe-se o quanto um curso técnico pode mudar a vida desses alunos”. Gargalos e adaptação Para Marcos Vinícius, gerente-geral de operações da empresa Transtec World, os gargalos estão nas vagas para atividades como soldador e pintor. “A gente tem estimulado muito internamente, para que a gente possa, dentro de casa, compor essas vagas”, raciocina. Segundo ele, ainda não é o caso de recorrer a candidatos de fora da região para atender a essas demandas. “Mas, talvez, tenha que fazer isso em breve”, avisa. Marcos Vinícus, da empresa Transtec World, observa carência em ofícios como soldador e pintor: recorrer a mão de obra de fora é uma possibilidade (Sílvio Luiz/AT) Marjorie Samaha, coordenadora de Sustentabilidade Social da Santos Brasil, diz que uma competência que pode ser explorada pela própria empresa, em nas áreas além do administrativo. “Nota-se a falta de mão de obra técnica para posições de manutenção e operador de carga. Uma possibilidade é reestruturar o programa de aprendiz que a gente tem para contemplar mais do que funções administrativas, que é hoje o nosso forte. Seria fazer programas voltados para um aprendiz de manutenção”, avalia. Para ela, seria como uma adaptação à essa realidade do mercado de trabalho. “É assumir o nosso papel como empresa privada. Se a gente quer essa mão de obra qualificada, tem que viabilizar para que ela aconteça”, sinaliza Marjorie. Tecnologia amplia produtividade A tecnologia é aliada ou inimiga de quem busca uma colocação no mercado de trabalho? Tudo depende da forma como ela é manejada, tanto no ambiente profissional como, ainda, no ensino técnico. Assim, um dos desafios da relação entre a academia e o mercado é diluir essa dúvida. “É bom a gente desmistificar isso, de que a tecnologia vem suprimir postos de trabalho. Automação e inteligência artificial são ferramentas para ganho de produtividade”, argumenta o diretor das unidades do Senai em Santos e Cubatão, Daniel Silva. Marjorie Samaha, da Santos Brasil, entende que uma avaliação sobre a inteligência artificial depende da forma como ela é empregada (Sílvio Luiz/AT) Para ele, as instituições estão preparadas. No caso da instituição, são desenvolvidas formações onde essas tecnologias, elas estão presentes de forma transversal. “Nós temos parceria com todas as Big Techs. Estamos entre os quatro maiores usuários globais da ferramenta da Microsoft, de inteligência artificial. A indústria 5.0, traz a automação com IA, mas coloca o ser humano como elemento central no processo decisório. Nós temos as ferramentas e a ferramenta tecnológica não está aqui para suprimir o posto de trabalho”, avalia. Marjorie Samaha, por sua vez, avalia que, se a inteligência artificial é ruim ou é boa, depende de quem está pilotando. “Eu contrato uma pessoa pelas habilidades que ela tem e pela vivência que ela tem, como que ela pode contribuir para a construção de um produto comigo. Se ela me apresenta um produto só de inteligência artificial, eu poderia ter feito aquilo. Não é para aquilo que ela foi contratada”, pontua. A analista de Desenvolvimento de Gente & Gestão da Portocel, Camila Maganin, vai na mesma linha. “Contratar um profissional proativo, com inteligência emocional, é uma necessidade. Assim, você conquista espaço, pois a vontade de aprender é essencial”, finaliza.