O economista, professor e diretor-executivo da Associação Comercial de Santos (ACS), Adalto Correa, acredita que o Ensino Fundamental já seja o momento de mostrar cenários e oportunidades envolvendo o emprego. Ele também é proprietário de escola em Santos. “Fazemos, inclusive, isso, levando grupos de jovens para conhecerem e conversar com lideranças de várias empresas. É o grande papel do ensino de base. Hoje, eu me sinto um educador de fato. Sempre estive no Ensino Superior, mas talvez com a camada menos importante da cadeia produtiva da educação porque eu acho que é no Ensino Fundamental em que você efetivamente molda e trabalha o futuro”, conta. Responsável pelas parcerias do Centro Paula Souza com o mercado produtivo, de olho na empregabilidade e capacitação, o professor e mestre em Educação Angelo Alvarez afirma que o maior desafio é atrair as empresas. Um exemplo positivo foi a busca do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar) junto à instituição, em razão da falta de mão de obra para o setor. “Não existe essa ocupação, até porque não está nem no catálogo nacional de curso técnico. Disse que não conseguiria fazer um curso técnico, mas sim uma especialização para quem já fez logística, gestão portuária e comércio exterior, por exemplo. Desenhamos o curso, está pronto e foi aprovado pelo Centro Paula Souza. Já vai ser, inclusive, oferecido nesse vestibulinho para o próximo ano. Acabo atendendo três pontos: uma demanda de alunos que precisam trabalhar, a das empresas e ainda o pessoal das agências marítimas, que querem dar aula no curso”, revela. O problema é convencer o aluno a esperar a oportunidade, segundo Angelo, em razão de outras necessidades. “Na maioria dos casos, os jovens, tanto no ensino técnico quanto no tecnológico, não têm a capacidade de planejar uma carreira. Eles não têm tempo para isso. É muito mais importante o dinheirinho que entra no dia a dia. Às vezes por pressão familiar ou por ele mesmo, precisa trabalhar e deixa para trás uma chance no Ensino Superior ou no Técnico para um subemprego ou outra atividade. Tem aluno que deixa de fazer um curso técnico para vender cerveja na praia no verão porque é muito mais rentável em razão da necessidade”, comenta.