(Adobe Stock) A professora, especialista em Design Gráfico, inteligência artificial (IA) e colunista de A Tribuna, Gabriela Morais, afirma que 60% das tarefas operacionais serão automatizadas em até dez anos - ou seja, feitas por um robô. “Isso é o que temos de certeza. Da mesma forma que a internet e a energia elétrica afetam, a IA também vai afetar. Quando a gente fala de substituição e saem esses rankings sobre profissões que vão ou não existir, é claro que é sempre o ser humano tentando ser adivinho. Mas até a melhor das cartomantes não saberia dizer o nosso futuro”, comenta. Ser um profissional tecnológico, segundo a especialista, não é mais opção ou luxo e, sim, realidade. “O ponto de partida é que a pessoa precisa saber ‘promptar’, que virou até verbo e significa conversar com essa máquina. Na sequência, é criar os agentes autônomos, que é o robotizar com rotinas operacionais. Se partir desse princípio, com certeza a pessoa terá sucesso profissional”, explica. Diante disso, os humanos vão voltar à sua condição primordial, que é a de pensar, criar estratégias e conectar, observa a especialista. “Nós nos acostumamos a ser robôs. E a gente acabou esquecendo que não somos. Agora o robô veio e falou: ‘Essa vaga é minha. Vai para a tua’. E cabe a nós, agora, voltarmos para nossa essência. Todo mundo tem capacidade. Caso a pessoa não tenha facilidade, vai precisar se desconstruir para começar essa interação com a tecnologia”, define. Índice menor Por outro lado, lembra Gabriela, haverá um índice muito menor de troca nas tarefas em que há necessidade de um julgamento humano e decidir o que vale ou não a pena. Como exemplos, ela citou massagista, quiroprata e dentista. “Ou seja, são tarefas em que eu preciso do corpo humano. Ainda vamos ter tecnologias envolvidas nela, mas não tão forte quanto escopos meramente operacionais”, sintetiza. “A atenção que nós temos que ter é uma autorreflexão sobre o nosso escopo de trabalho: se ele é muito operacional ou se exige julgamento intelectual”, emenda. Gabriela Morais: Humanos vão ter que pensar, criar estratégias e se conectar (Alexsander Ferraz/AT) Repertório é chave e não importa a idade Ter repertório de conhecimento é condição imprescindível para triunfar quando o assunto é inteligência artificial e independe da idade, segundo a professora Gabriela Morais. “Assim como temos jovens com repertório, temos mais velhos sem repertório. O ponto é o repertório. A probabilidade dos mais velhos terem é maior, obviamente, porque percorreram muito mais nesse chão profissional e pessoal”, analisa. Dentro desse raciocínio, ser generalista é uma vantagem no mundo da IA, unido com o volume de repertório, lembra a especialista. “A partir do momento em que eu consigo automatizar uma tarefa porque ensinei um robô a fazer, não ensino somente a parte operacional. Eu treino essa máquina para que ela tenha uma função operativa no lugar de um humano. Para que eu treine qualquer máquina de aprendizado profundo, que são as inteligências artificiais, preciso ter conhecimento do contexto, da operação e do que é importante. Quanto mais repertório você tem, mais você consegue conectar as pontas. Ou seja, mais sucesso vai ter sendo um generalista porque você consegue delegar melhor para uma máquina”, detalha. A vontade para “aprender a aprender”, de acordo com Gabriela, pode também fazer com que os mais velhos levem vantagem nesse processo. “É preciso que estejamos cada vez mais dispostos a isso, coisa que os mais velhos já estão mais acostumados. O jovem, às vezes, com dez minutos de problema para resolver, fala que não quer mais saber disso. Então, os mais velhos, ou como podemos dizer, quem tiver mais repertório vai surfar lindamente essa onda”.