Andrea Neris deixa claro que escolha vai além da competência técnica (Alexsander Ferraz/AT) A diretora da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Andrea Neris, defende que as empresas comecem a fazer um processo seletivo mais humanizado envolvendo contratações. “Não é só competência técnica hoje. Além disso, nós precisamos avaliar, sim, o candidato como ser único mesmo”, afirma. “O jovem que está no mercado, que tem em torno dos seus 25, 27 anos, tem uma visão totalmente diferente de outras gerações porque ele já começa a avaliar outras coisas”, diz. Dentro desse processo de entendimento, segundo a especialista, está o que vai além da própria oportunidade oferecida. “A gente precisa entender a pessoa atualmente. Quando é colocada uma vaga no mercado e demora muito tempo para conseguir suprir, mesmo tendo esse profissional no mercado, muitas vezes já é pela questão comportamental”, argumenta. O raciocínio vigente entre os jovens é o de avaliar a empresa por outras perspectivas. “Eles não são atraídos para aquela empresa porque ela não é atrativa para esses jovens. E isso já começou a acontecer: pessoas falando que não gostariam de trabalhar nesta ou naquela empresa”, revela. A necessidade de trabalhar acaba sendo colocada em segundo plano justamente por esses conceitos de valor - ou pela falta deles - trazidos pelo empregador, lembra Andrea. “Uma empresa que era muito tradicional e que não ligava para isso, achando que está pagando o salário e já está tudo bem, não está. Porque, agora, o jovem vai começar a avaliar: vou trabalhar nessa empresa que não valoriza tanto o colaborador ou naquela outra, onde posso ser um nômade digital trabalhando pela internet e para qualquer lugar do mundo? É um recado que a gente precisa colocar”, exemplifica.