"Já deixamos boas oportunidades passarem", diz Drummond (Sílvio Luiz/AT) O coordenador estadual da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Pedro Drummond, afirmou que o Brasil tem a possibilidade de se tornar a maior referência internacional na produção de hidrogênio verde, uma das principais fontes limpas de energia atualmente. Para isso, o País precisa agilizar as políticas e normas relacionadas ao tema, caso contrário, outras localidades podem passar à frente. Praticamente encerrando sua participação no terceiro fórum deste ano do projeto Região em Pauta, o especialista afirmou que o hidrogênio verde é "a bola da vez" no mundo, pois é menos poluente, reduzindo consideravelmente a emissão de carbono (CO2). Segundo Drummond, esse insumo surge por meio de um processo chamado eletrólise da água, que utiliza eletricidade para separar o hidrogênio do oxigênio. Ele destacou que, enquanto muitos países usam o carvão, um combustível poluente, para gerar a eletricidade necessária para esse processo, o Brasil se sobressai devido à sua vasta matriz energética renovável. "Não podemos deixar essa onda passar. Este material é importante para várias indústrias, inclusive a de combustíveis. O verde é gerado a partir de fontes renováveis. Temos espaço para gerar isso e vender para o mundo inteiro", afirmou. Contudo, para que isso aconteça, Drummond enfatizou a necessidade de acelerar a análise de leis e projetos que estão em tramitação no Congresso Nacional. "É começar a aprovar as leis e liberar os projetos para nos tornarmos referência no planeta. Isso é essencial. Se demorarmos demais, outros países vão avançar", alertou. O temor de Drummond se baseia em fatos do passado, como a corrida espacial. "Já deixamos boas oportunidades passarem. A China copiou o nosso modelo aeroespacial 50 anos atrás. Copiou mesmo! Veio aqui, copiou e aplicou lá. Esta corrida espacial traz riqueza enorme, não é só lançar foguetes. O Brasil não tem GPS próprio. Se o GPS que usamos for desligado, simplesmente paramos o País. A China tem esse recurso, assim como a Europa, Índia e Estados Unidos", concluiu. Carros Elétricos: País precisa de visão de longo prazo O Brasil precisa desenvolver uma visão de longo prazo com relação aos carros elétricos. Pedro Drummond disse que, embora não haja necessidade de pressa para a expansão da infraestrutura para este tipo de veículo, passos devem ser dados. Para ele, o tema precisa receber mais atenção. Enquanto fazia suas ponderações, o especialista afirmou que existe um contraste entre o que se vê aqui e o que acontece em outras nações. “Se você está em São Paulo e vai para o Rio de Janeiro, não tem onde recarregar o carro. Nos Estados Unidos e na Europa, os fabricantes investem nisso. A Tesla falou: ‘Eu vou dar os postos…’.” Segundo o coordenador estadual da Absolar, há uma explicação para esta diferença. O executivo afirmou que locais como os citados, bem como a China, precisam de implementações imediatas, seja por não serem autossuficientes em termos de combustíveis fósseis ou por outras questões. Enquanto isso, aqui, a mudança para uma frota que use energia renovável não é tão urgente. Entretanto, o convidado de A Região em Pauta frisou que, em algum momento, o Brasil terá de investir em infraestrutura para este modelo de automóvel. Afinal, “não faz mais sentido ter nada” para veículos a combustão. De qualquer maneira, ainda existe tempo para se planejar instalações específicas. Apesar disso, para Drummond, não é mais possível conviver com situações como estas: “No País, encontramos um monte de empresas querendo botar dinheiro (para criar postos, por exemplo). Elas só não fazem porque não há uma norma dos Bombeiros aprovada. Aí, é brincadeira. Falta visão de longo prazo”, finalizou.