Integração dos sistemas notificadores sobre leitos ocupados e vagos foi comentado no primeiro painel (Alexsander Ferraz/AT) As nove cidades da Baixada Santista pretendem unificar os sistemas que notificam ao Governo do Estado a quantidade de leitos hospitalares ocupados e vagos. A expectativa é de que a integração comece neste ano. A medida deve ajudar na regulação da oferta de vagas. A intenção dos municípios foi confirmada pelo secretário de Saúde de Santos, Fábio Lopez. Ele revelou o plano no quarto fórum deste ano do projeto A Região em Pauta, que ocorreu nesta segunda-feira (26), no prédio do Grupo Tribuna. O tema foi Saúde. O gestor santista admitiu que as cidades atuam com plataformas distintas. Enquanto parte usa o Sistema de Regulação (Sisreg), vinculado ao Ministério da Saúde, do Governo Federal, outras dispõem do mecanismo estadual chamado Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross). Como as duas opções “não conversam”, o Estado não tem noção exata de quantos leitos pode oferecer. Conforme o diretor técnico da Santa Casa de Santos, Alex Macedo, devido a essa diferença, “muitas vezes, há conflitos”, prejudicando a distribuição de vagas. Por isso, os municípios trabalham para universalizar os dados. “Vamos fazer a união de sistemas, para ficar mais clara a regulação de vagas. Demos início, tentando entender como fazer a comunicação do Sisreg e do Cross. Esperamos avançar este ano”, disse Lopez. O movimento ajuda, mas há outra dificuldade: os 1.834 leitos da região não são suficientes. “Tenho demanda maior que a oferta”, afirmou o gerente do Cross, Domingos Guilherme Napoli. A secretária de Saúde de São Vicente, Michelle Santos, avaliou que esse obstáculo só será superado se for tratado de forma regional. Fábio Mesquita, que chefia a mesma pasta, mas em Guarujá, concordou. O deputado estadual Caio França (PSB) pediu que o Poder Público destine mais verba para a área. “Emendas parlamentares ajudam, mas é estranho secretarias viverem disso.” Aumento do número de cursos de Medicina no País teve destaque na segunda discussão, na tarde desta segunda (26) (Alexsander Ferraz/AT) Formação O aumento de cursos de Medicina também foi assunto. Nos últimos 20 anos, o total de faculdades subiu 214,9%. Apesar disso, para o gerente médico do Hospital Ana Costa, Amilton Nunes Neto, a qualidade dos formandos caiu. Assim, “enfrentamos dificuldade na contratação de especialistas”. O problema é compartilhado por Philipe Saccab, médico cardiologista e diretor médico do plano Santa Saúde. “Enxergo com preocupação a geração atual.” A fim de tentar garantir o nível do ensino, o Ministério da Educação (MEC) criou o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (EnaMed), que vai avaliar o conhecimento dos alunos. O ex-ministro da Saúde e atual presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Arthur Chioro, disse que o teste permitirá a adoção de “um conjunto de intervenções” para garantir a melhoria da formação. O médico infectologista e professor universitário Evaldo Stanislau aprovou a medida. “É um caminho seguro.” No domingo, A Tribuna publicará conteúdo especial sobre o tema, ampliando o debate do fórum.