Arthur Ataíde (em pé) defende o Protocolo Individualizado de Avaliação (Piar), em que se pode avaliar os estudantes de outras formas (Alexsander Ferraz/ AT) “Autista não é médico, autista é paciente.” Essa foi a frase que Arthur Ataíde Ferreira Garcia ouviu de uma professora quando ainda era criança e manifestou o sonho de trabalhar na área da saúde. O comentário preconceituoso, marcado por capacitismo, poderia ter sido um obstáculo definitivo. No entanto, Arthur transformou a dor em luta e prova viva de que a inclusão é um caminho sem volta: atualmente, ele cursa Medicina e atua como vice-presidente da Associação Nacional para a Inclusão das Pessoas Autistas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Arthur contou à plateia que a conquista da Política Nacional de Educação Especial, criada em 2008, foi determinante para que pessoas com deficiência tivessem acesso garantido às escolas regulares. “Foi esse direito que me permitiu estar hoje aqui, no curso de Medicina, e ver tantas outras pessoas com deficiência ocupando os mais diversos espaços na sociedade”. Arthur também destacou a importância da família em sua trajetória. “Se dependesse da opinião de alguns especialistas, meu lugar seria em um sanatório. Mas meus pais sempre acreditaram que meu lugar era na escola, junto com as outras crianças”, contou. Presente ao fórum, a deputada estadual Solange Freitas (União Brasil) lembrou que conheceu Arthur ainda adolescente, em uma caminhada de pessoas com deficiência. “Naquela época, muitos diziam que ele não tinha capacidade para realizar seus sonhos. Eu o incentivei a seguir em frente. Hoje, vê-lo como estudante de Medicina e como ativista é uma lição para todos nós”, afirmou. Cahuê: “A escola é o primeiro espaço onde se aprende sobre respeito” (Alexsander Ferraz/AT) Solange é autora da Lei Estadual 18.183/2025, que obriga shoppings com circulação diária superior a 2 mil pessoas a terem salas de regulação sensorial, visando oferecer locais com tranquilidade a pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e neurodivergentes. A educadora e empreendedora social Carol Porto, criadora da Turma do Longinho, que também participou do painel sobre educação inclusiva, destacou que a escola tem papel fundamental na quebra dessas barreiras. “A inclusão começa quando o professor entende que cada aluno tem um jeito de aprender. Quando o ambiente escolar é acessível, todo mundo cresce junto”. Carol acrescentou que o preconceito muitas vezes está nas pequenas atitudes e pode ser combatido com diálogo e convivência. “Precisamos enxergar o aluno pela capacidade, não pela deficiência. É isso que muda a vida das pessoas”, completou. Carol Porto: “Cada cada aluno tem um jeito de aprender” (Alexsander Ferraz/AT) O advogado Cahuê Talarico, presidente da Comissão de Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB Santos, reforçou a fala da empreendedora. Para ele, a escola é o primeiro espaço onde se aprende sobre respeito e diversidade. “Durante séculos, as pessoas com deficiência foram invisibilizadas. A educação é o caminho para reconstruir essa visão e garantir igualdade de oportunidades”. Ele também lembrou que as leis de inclusão precisam ser acompanhadas de formação adequada aos profissionais. “Não adianta termos legislação se quem está em sala de aula não estiver preparado para colocá-la em prática”.