(A Tribuna) Não é por falta de projetos e previsão para grandes obras, com recursos privados, estaduais e federais que a Baixada Santista padecerá do sonho de atrair novos olhares e uma onda de crescimento como nunca visto anteriormente. Terceira pista da Imigrantes, nova arena para o Santos Futebol Clube, leilão do Tecon Santos 10, túnel Santos-Guarujá, novos shoppings em Praia Grande e em Santos, hotel e a entrada em funcionamento do VLT são apenas algumas das iniciativas previstas para curto e médio prazos. Junto com essa onda de empreendimentos, a geração de empregos diretos e indiretos é a consequência mais lógica e aguardada com ansiedade. ‘Surfar’ essa onda, porém, exige planejamento e conhecimento estreito do perfil que será exigido dos profissionais. Quem está olhando para esse cenário e se qualificando para as oportunidades sairá na frente. A Baixada Santista viveu, décadas atrás, uma onda fantasiosa que também gerou expectativa, a do pré-sal, que exigiria qualificação específica dos trabalhadores e dezenas de cursos voltados ao petróleo e gás foram abertos - assim como também o setor da construção civil investiu atraído pelos novos profissionais que para cá viriam morar, empreender, consumir. O sonho não se concretizou. Porém, o momento atual é diferente e com sinais bem claros de que já está acontecendo. Ao lado de funções básicas e braçais, como trabalhadores da construção civil ainda tão imprescindíveis, as novas atividades carregarão a dinâmica própria da tecnologia, da inteligência artificial e da automação, e é esse o ponto central para atrair especialmente os jovens e os profissionais já formados que buscam se manter no mercado de trabalho. O ponto central é onde investir tempo e recursos para a qualificação necessária a esse novo momento. Assim como em outros países, como Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Japão, o modelo a ser perseguido deve ser a qualificação dual: dentro da escola e também no ambiente profissional, com a mão na massa, trocando com os profissionais do mercado as habilidades aprendidas na sala de aula, intercalando teoria e prática no exato momento em que se está em formação. Além disso, é preciso olhar com mais atenção para os cursos técnicos e profissionalizantes e, nesse sentido, é positiva a iniciativa do Ministério da Educação de ampliar para Santos, São Vicente e Guarujá a implantação de institutos técnicos federais. Os cursos superiores são relevantes e nunca deixarão de ter o seu papel, mas nem sempre é o caminho mais adequado para os jovens que saem do ensino médio. Há funções - atuais e nesse futuro cenário regional - com perfil eminentemente técnico. Apresentar esse leque de opções aos jovens egressos da educação básica é papel da escola e também das famílias. Falar de emprego é falar de economia, de consumo, de qualidade de vida e de satisfação profissional. Arminda Augusto. Gerente de Projetos do Grupo Tribuna.