(João Loureiro/ Agência Paulistão) Tenho tido a sensação de que há um abismo separando o modo como os torcedores e os clubes encaram o campeonato estadual. Talvez valha pra muitos deles. Mas me refiro ao Paulista, que está mais presente no meu cotidiano. Sim, um abismo, como há entre um jogo dito normal e os tais dos clássicos. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Sem complicar muito a questão lhes digo o seguinte: quem torce não quer a derrota de jeito nenhum. E nem vou falar em desejos mais exigentes, como o de ver o time elegido jogando o fino. O que, em se tratando do futebol brasileiro atual, não deixa de ter um quê de quimera. Talvez a linha que salve desse abismo os dois, torcida e clube, seja um anseio velado de, no mínimo, ir além da fase de grupos. Mas a realidade do nosso futebol acabou por impor aos times tratar o Paulistão como uma espécie de laboratório. E por isso sou levado a acreditar que no fundo, de modo obviamente inconfessado, o planejamento de cada um deles conte com uma derrota aqui, outra acolá. Pois sabem que não teriam maiores consequências. Tudo tramado em nome de torneios que pintam na área mais tardiamente como as vedetes da temporada. Só os inocentes, ou os desatentos, não notaram todas as artimanhas que foram feitas nos últimos tempos em matéria de regulamento para incrementar as possibilidades de que os grandes não fiquem pelo caminho. Como andaram e andam ficando muitas vezes. Mas o futebol, com sua muito conhecida veia incontrolável, segue driblando, tal qual um Garrincha, essas tentativas de ordenamento. Veia essa que vitimou o Corinthians no ano passado. O mesmo Corinthians que na atual temporada se colocou na vanguarda dos classificados para a fase além grupos. Mas esse abismo de que a crônica esportiva parece fazer pouco caso, parece fingir que não vê, pois roubaria certamente a contundência de certos discursos, é passageiro, aos poucos vai se fechando, pois diante do tudo ou nada das quartas e das semifinais a intenção do clube acaba por se afinar com a da torcida. Que, lembrem-se, nunca quis saber de derrota. Como é impossível negar que os clássicos não tenham esse poder. Perder um Choque-Rei ou um Majestoso segue sendo pecado dos brabos a qualquer tempo. Enfim, chegamos até aqui sem saber se Palmeiras e Santos estarão lá onde corintianos e são-paulinos já estão. Isso mesmo, depois de muita gente ter alardeado que este era um Paulistão com toda pinta de que ia, ao fim, deixar cara a cara os quatro times de maior expressão. Tese que pode minguar. A ver. Isso sem contar que esse regulamento singular em vigor vai aí desenhar jogos que deixarão a classificação tão sonhada a depender de rivais, talvez. E isso nunca foi pouca coisa. Dirão os menos encrenqueiros que é do jogo. Realmente pode até ser. Como é fato também que nesses casos um resultado improvável, digamos, por mais lícito, sempre será alvo de desconfiança. Enfim, a versão atualizada do Paulistão é essa, mas não tarda torcida e time estarão cultivando o mesmo anseio. Vencer.