[[legacy_image_306935]] Não sei se você é desses que gostam de analisar uma tabela, ou se só a procura quando quer tirar alguma dúvida. Ou pra se certificar sobre qual o tamanho da sombra que a zona do descenso anda projetando no escrete que ama. Ou, mais poeticamente, sobre quem precisa derramar aquela velha e boa secada, sem a qual o jogo de bola ganharia ares de orquestra de câmara. Eu sempre tive uma queda por elas. Já disse aqui que, quando menino, junto com meu irmão, disputávamos longos campeonatos de futebol de botão com cada um de nós cuidando de dar vida a uns dez times. E zelar pela tabela de classificação colocava a brincadeira em outro patamar. E agora que a atual edição do Brasileirão vai caminhando pro fim, as resenhas vão se apoiando cada vez mais na tabela. E a deste ano em especial anda sendo de um magnetismo absurdo em seus extremos. Em outras palavras, na parte alta e na parte baixa. E olha que o Botafogo tem feito de tudo pra jogar uma água nessa fogueira. Vejam vocês, mesmo levando em conta que possa não vir a ser o campeão, seria necessária uma dose cavalar de pessimismo pra não dizer que uma das vagas diretas na Libertadores do ano que vem ficará com ele. Restam, então, outras três. E pra elas o que a tabela mostra é uma fartura de interessados. Tite chegou ao Flamengo e disse com todas as letras que a missão dele no Flamengo de cara é fazer o rubro-negro ficar com uma delas. O Palmeiras por sua vez, mesmo não tendo um ano tão medonho como seu rival carioca, também precisa de uma. Pois se terminar o ano sem uma delas só amplificaria o descontentamento da torcida e escancararia o quanto o planejamento esteve longe do ideal. E diante disso, nem supostas contratações sendo providenciadas surtirão tanto efeito. Ocorre que, mesmo sendo possível acomodar essas exigências com a boa campanha do Bragantino, há muitos interessados em melar essa lógica. O Grêmio tá no páreo, o Athletico-PR. E dependendo do desfecho da rodada que começou ontem e segue hoje, e do desfecho dos torneios continentais, Fortaleza e Fluminense poderão acabar por ter o Brasileirão como grande meta pra salvar o ano. Mas é a parte de baixo que dá pano pra uma reflexão ainda mais provocadora, por assim dizer. Levando em conta os que estão na zona de rebaixamento e os que estão a dois pontos dela, é possível ver muitos campeões brasileiros. Campeões continentais e, pasmem, até mesmo três campeões mundiais de clubes. Mas como dizer que o Campeonato Brasileiro está entre os melhores do mundo a essa altura pode provocar risos, muitos acabam por apontar essa riqueza de patentes correndo risco como prova de que se não se trata do melhor, se trata do mais disputado. Quem imaginaria um Real Madrid, ou um Bayern de Munique vivendo essa experiência desabonadora? De minha parte, prefiro crer que o que a tabela escancara é prova cabal de como são mal administrados os principais clubes do nosso País. Pra quem ainda ficar com dúvida, sugiro pegar trechos do debate travado entre os candidatos à presidência do Corinthians promovido pela TV Gazeta dias atrás, em que o despreparo para tão impoluto cargo se fez flagrante. Não que seja diferente em outros grandes clubes. Outra lição que tiro disso tudo também é como acabamos por nos divertir com o que deveria nos envergonhar.