Foto ilustrativa (Freepik) José é, de fato, o nome mais comum no Brasil entre aqueles com mais de 40 anos. Essa é a minha impressão, também confirmada por pesquisa recente do IBGE. Uma influência lusitana, herança de um povo católico que aportou por aqui durante os últimos 500 anos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Com a inversão do movimento migratório, é possível que nos próximos anos, Lisboa registre um incremento repentino de Enzos e Sophias. Mas isso, por aqui, pouco importa diante dos Zés que habitam nossas memórias. Lembrei-me de meus “Zés”. Não o Zé Mané, o Zé Ninguém ou o Zé Carioca. Mas do Zé, hipocorístico do nome mais prevalente entre nós, e da doçura que há no diminutivo, Zezinho. Tenho uns guardados no peito, bem do lado esquerdo. Meu primeiro Zezinho foi um primo mais velho que, agachado, me permitia sentar em seu colo, e fazia mágicas com os dedos das mãos. Como a mágica tem a força de transmitir carinho e acolhimento às crianças! Fosse um dia imperador, decretaria o Circo, com seus palhaços, mágicos e equilibristas, patrimônio cultural da cidade e determinaria, por força de lei, a criação de uma companhia circense em cada bairro. E o lema seria: Circo, direito de todos, dever do estado. Mas enquanto não sou imperador, e também nem quero ser, pois me daria muito trabalho, vou tentando sobreviver à angústia causada pela impotência, de não ver a imaginação e a fantasia se traduzirem em felicidade, como prometido em discursos pré-eleitorais. Seguindo entre memórias de circo e saudades da infância, já adulto, ganhei um novo irmão. E seu nome não poderia ser outro: Zé. Como dizemos entre nossos amigos, o Zé é demais. Quantas vezes cantamos juntos, nos emocionamos, filosofamos e dançamos! Zé bem poderia ser sinônimo de amizade, bondade e fraternidade. Seria simples dizer: fulano é tão Zé! Ou sicrano é um Zé em pessoa! Assim são meus Zés. E são tantos os Zés. Entre eles, há um que se fez símbolo. Um Zé de todos nós: Zezinho Fontes. Médico e poeta, Martins Fontes exaltava a compaixão pelos que sofrem e defendia a justiça social com versos e gestos. Ah, se eu fosse imperador... Ergueria uma estátua na entrada da cidade em homenagem a todos os nossos Zés. Ainda bem que não sou imperador. Não teria paciência para aturar uma horda de gente, não Zé, pedindo favores em defesa de seus únicos interesses. Só existiriam os Zés boa gente, e, debaixo de sua estátua, mandaria inscrever o poema, “Como é bom ser bom / Num mundo tão sem luz... / dar um pouco de amor, / Mesmo a quem não nos dá”.