(Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Somos inundados por informações desde o momento em que acordamos: redes sociais, e-mails, noticiários. Nesse fluxo acelerado, muitas vezes esquecemos que, para além disso tudo, existem gestos silenciosos e potentes acontecendo todos os dias, como o voluntariado. Voluntariar-se é quase um ato de resistência ao imediatismo e à indiferença. É também um convite à conexão com o outro, com a comunidade e com aquilo que nos move como seres humanos. Segundo o IBGE, mais de 7,3 milhões de brasileiros se dedicaram a atividades voluntárias em 2022. Embora o número seja significativo, ele representa apenas 4,2% da população com 14 anos ou mais. Ainda há muito a mobilizar, mas o cenário vem evoluindo. O relatório Perspectivas para a Filantropia no Brasil 2025, do Idis, mostra que o voluntariado está mais estruturado e qualificado. Ganha força, por exemplo, a participação técnica de voluntários em conselhos e comitês de organizações sociais. É um perfil mais profissionalizado e alinhado a estratégias de médio e longo prazo. Essa mudança amplia o alcance e a sustentabilidade das ações. Voluntários com repertórios diversos fortalecem o modelo colaborativo e eficiente do terceiro setor. Na Liga Solidária, acompanho de perto essa transformação. Voluntários chegam com o desejo de ajudar e encontram pertencimento, propósito e conexões genuínas. Foi nesse espírito que nasceu a campanha “O fio que conecta propósitos”, inspirada na lenda do fio invisível que une pessoas destinadas ao encontro. Para nós, esse fio é o voluntariado – elo silencioso entre histórias, causas e transformações. Existe também uma ponte estratégica entre voluntariado e negócios. Programas corporativos vêm ganhando espaço como ferramentas de desenvolvimento humano e fortalecimento da cultura organizacional. Segundo a Deloitte, 89% dos executivos acreditam que o voluntariado melhora o clima interno e o senso de pertencimento das equipes. No Brasil, essa percepção avança. A pesquisa Voluntariado no Brasil 2021 (Idis/Datafolha) mostrou que 52% dos voluntários acreditam que essa prática fortaleceu sua atuação profissional, desenvolvendo competências como liderança, empatia e comunicação. Voluntariar-se é fazer parte de algo maior. O mundo se transforma não apenas por grandes ações, mas por milhares de fios invisíveis que nos conectam todos os dias – e que, juntos, tecem uma sociedade mais justa e solidária. *Priscila Rodrigues de Souza. Gerente executiva de desenvolvimento institucional da Liga Solidária