Foto ilustrativa (Freepik) “Brain rot” pode ser chamado de “cérebro apodrecido” e está relacionado às consequências do vício em telas – principalmente entre crianças e adolescentes – ao consumir conteúdos pouco desafiadores e superficiais. Os efeitos desta condição são preocupantes, já que estão diretamente atrelados ao desenvolvimento de transtornos mentais e prejudicam as interações sociais. O termo “brain rot” foi eleito a palavra do ano em 2024 pelo Dicionário Oxford, refletindo preocupações com os impactos da hiperconexão na vida mental das pessoas. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Esse tema será discutido, esta semana, em Santos, no XV Congresso Paulista de Neurologia, realizado pela Associação Paulista de Neurologia (Apan) com organização da Associação Paulista de Medicina (APM) e apoio da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). Em tese, o termo coloca como se fosse um “apodrecimento cerebral” por uma exposição excessiva de conteúdos ou maior atividade intelectual. Já existem estudos mostrando que a exposição excessiva a telas e diferentes conteúdos on-line está relacionada com a depressão, ansiedade, estresse e alteração na qualidade do sono. É interessante que não gera um dano neuronal, mas gera uma disfunção de circuitos neuronais. A exposição, por exemplo, de vídeos curtos em aplicativos como YouTube e TikTok, entre outros, faz com que a pessoa fique engajada naquela atividade por muito tempo, buscando, então, essa rápida recompensa. Assim, bagunçando e desregulando o circuito dopaminérgico, a pessoa desenvolve algo semelhante mesmo a um vício dessa atividade on-line. É essa desregulação dos circuitos que predispõe a transtornos mentais pessoas que têm esse uso excessivo de telas. Existem os problemas que são ocasionados pela exposição excessiva ao celular, à rede social e a ficar muito tempo assistindo vídeos desestimulantes, mas existe também a questão do que a pessoa deixa de fazer por estar conectada aos dispositivos eletrônicos. Então, muitas vezes, deixa de praticar uma atividade física, podendo ter atrofia muscular – que, inclusive, leva a alterações musculoesqueléticas, mudando a posição da própria coluna pela postura que fica diante das telas. Ocorrem situações, por exemplo, de pessoas passarem a ficar mais tempo dentro de casa, e, assim, terem pouca exposição ao sol, podendo ocasionar déficit de vitamina D. Há ainda a troca de atividades em ambientes externos por ambientes internos, deixando de se socializar, o que é muito importante para a saúde mental e para a saúde como um todo.