(Alexsander Ferraz/AT) Há muito tempo imaginei um Centro de Ciências e Tecnologia em Santos, similar à Cité des Sciences et de l’Industrie de La Villette, na França, um magnífico complexo cheio de atrações sobre vários temas. Pensei nesse futuro voltando ao tempo das aulas de Artes Industriais, no ginasial cursado no Primo Ferreira, que inspiraram eu e vários de meus colegas a trilharem o caminho das Ciências Exatas, entre outras. Primeiro considerei a área da antiga pedreira do Marapé, lá se vão quase 30 anos. Porém, o tempo passou e o local agora é ocupado por condomínios residenciais. Há pouco tempo conheci a Ciudad de las Artes y de las Ciencias de Valência, na Espanha, o que me fez voltar ao tema. Mas onde seria possível implantar um equipamento provido de múltiplos laboratórios, espaços para experimentos e demonstrações de maior complexidade, ambientes para atividades imersivas, como os que ocorrem em São Paulo, com as restrições de espaço existentes em Santos? Pensei no prédio do Acácio de Paula Leite Sampaio, mas ele já está destinado à Escola do Legislativo. Perseverei, pois considero que, além de um equipamento educacional de alcance regional, destinado a escolas públicas, privadas e pesquisadores, ele também teria apelo turístico de amplo espectro e inovador. Santos não dispõe de um equipamento voltado às Ciências Exatas e da Terra, onde alunos e visitantes possam conhecer de forma lúdica, atraente e, sobretudo, objetiva, temas ligados à Física, Química, Geologia, Astronomia, Arqueologia etc. Vocações podem ser despertadas para os jovens; pesquisadores poderão desenvolver seus projetos; e “fichas podem cair” para quem não tinha aprendido. Audiovisuais contariam histórias das grandes descobertas científicas, sobre civilizações antigas, viagens espaciais, eventos marcantes e temas ambientais. Demonstrações de fenômenos físicos, experiências e simuladores contribuirão para o entendimento efetivo das aulas e, parafraseando o bordão de Buzz Lightyear, possibilitarão que a imaginação vá “ao infinito e além!”. O Escolástica Rosa, no Bairro Aparecida, me parece ser o local ideal. Pertencente ao patrimônio da Santa Casa de Misericórdia de Santos, poderia ser criada uma fundação reunindo empresas de tecnologia e mecenas para restaurar e adaptar suas grandes salas, galpões e áreas livres, resgatando o DNA que formou jovens técnicos desde a primeira metade do século passado, o que também tem um inestimável alcance social: empregabilidade! Os ambientes poderão ser patrocinados por empresas, recebendo seus nomes em troca do fornecimento e manutenção de equipamentos e monitores. Alguns espaços poderão ser locados para eventos e pesquisas, potencializando receitas acessórias e, quem sabe, patentes. Enfim, um Centro de Ciências em Santos pode ser uma grande experiência. Por sua história, o Escolástica Rosa merece esse resgate. *Adilson Luiz Gonçalves. Escritor, engenheiro, pesquisador universitário e membro da Academia Santista de Letras