(Reprodução) Ao longo de meus recém-completados 66 anos, morei apenas um deles fora de Santos. Foi em Marselha, na França, por conta de uma bolsa de pós-graduação. Nasci na Santa Casa, vivi minha infância e adolescência nos bairros do Marapé, Encruzilhada e José Menino (atual Pompeia) e, depois de casado, mudei para a Ponta da Praia, onde vivo até hoje. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Torço pelo Santos FC desde que me conheço por gente, busquei água em biquinhas da subida do Morro da Nova Cintra, subi as escadarias do Monte Serrat várias vezes, me encantei com o Orquidário e o Aquário. Minha formação até o Ensino Médio foi em escolas públicas. Comecei a trabalhar aos 15 anos, já economizando para fazer faculdade. Minhas únicas diversões eram futebol de praia e cinema. Fui grande frequentador da “Cinelândia Santista”. Cursei Engenharia Civil na Unisanta e me formei numa época de crise econômica. Meu bom currículo escolar não concorria com profissionais experientes recém-demitidos de grandes empreiteiras dos tempos do “Milagre Brasileiro”, mas serviu para conquistar uma bolsa de estudos. Na França, cheguei a ser convidado para conhecer um escritório de Engenharia em Paris, mas minha vontade sempre foi de retornar ao Brasil, particularmente a Santos. Não fosse assim, não teria encontrado Cecília, também santista “da gema”, que mudou completamente minha vida. Fui aprovado num concurso da Prefeitura de Santos, em 1989, onde trabalho até hoje. Em 1990 passei a lecionar, o que me deu novo ânimo. Em 1994, fui aprovado no concurso de Conferente de Carga e Descarga do Porto de Santos. Pedi licença sem vencimentos da Prefeitura e cheguei a pensar em me desligar do serviço público, tão sem perspectiva eu me via. Ainda bem que não o fiz. Em 1997, retornei de licença, mas a falta de motivação e visibilidade continuava a mesma. Cheguei a pensar em largar tudo e ir morar bem longe de Santos, Graças a Deus, Cecília manteve meus pés no chão e a mente focada. Finalmente, depois de uma tentativa frustrada e dez anos mais frustrantes ainda, consegui transferência para outro setor. Minha vida profissional mudou completamente! Perspectiva, motivação e visibilidade passaram a fazer parte de meu cotidiano. Diagnosticado com uma doença grave, foi aqui que encontrei hospitais e profissionais de saúde que têm me atendido com competência e empatia. Por conta da doença, parei de lecionar, mas com enorme honra e prazer tenho encontrado ex-alunos em funções importantes, aqui, no país e no mundo. Redescobri a beleza de minha cidade, o prazer de caminhar pela praia, de ver a lua no céu e refletida no mar, de viajar e ter vontade de voltar. Santos, perdoe-me se um dia quis te deixar, pois és meu porto seguro, de muitas maneiras! Feliz Aniversário! *Adilson Luiz Gonçalves. Escritor, engenheiro, pesquisador universitário e membro da Academia Santista de Letras