(Vanessa Rodrigues/ AT) Confete e serpentina lembram o carnaval. São elementos que permanecem, mesmo com o passar do tempo. Recordo ainda, quando criança, lá ia eu, fantasiado e com o meu saquinho de tecido repleto de confetes, para as matinês ou quando a família ia assistir aos desfiles de ranchos, blocos e das escolas de samba, ainda nas ruas do Centro de Santos, na Cidade, como costumávamos designar aquela região. Ficava fascinado quando as serpentinas surgiam, desenrolando no ar, envolvendo os passistas, os destaques, as alegorias e os carros alegóricos. Nós, crianças, atirávamos confetes e os adultos, que tinham mais força, lançavam as serpentinas. E as agremiações passavam, envolvidas pelo colorido desses mágicos ornamentos. Diziam os mais velhos que, nos antigos corsos carnavalescos, confetes e serpentinas eram muito usados. Imagino os foliões, felizes, fantasiados, envolvidos nas multicores e serpenteados pelas fitas de papel, tendo, também, colados na pele suada os pequenos pedacinhos coloridos de confete, que ainda formavam um belo tapete pela passarela do desfile e nos salões dos bailes carnavalescos; era a realização do sonho, da fantasia, a preservação da tradição. Hoje, percebo que determinados costumes persistem. Por mais que se tente algo novo, ainda podemos ouvir as marchinhas e os sambas antigos, misturados às composições mais recentes. Apesar dos novos tempos, antigas tradições são mantidas, hábitos saudáveis passados pelas gerações. A cada período do carnaval, passando por algumas ruas do meu bairro, logo após o desfile ocasional de um bloco de rua, vou observando a alegria das cores que ainda restam nos tênues adereços que pretendem enfeitar as ruas. Olhando ao redor, noto que, apesar dos enfeites mais modernos, lá ficavam também diversas serpentinas desfraldadas, além de inúmeros confetes. A emoção toma conta de mim. Num instante volto no tempo e vislumbro a criança que fui no passado, sonhando ser uma daquelas que estão a brincar, no presente. Reparando melhor, concluo que o comportamento é bastante semelhante aos nossos, de antigamente: correria, gritos felizes, a inocência mantida naqueles rostos corados e suados dos pequenos irrequietos, que aproveitam o colorido do lugar para brincar, saboreando a atmosfera deixada pelos foliões daquele bloco que ainda marca presença nas lembranças, mesmo já tendo desfilado na véspera. Pedaços de adereços, de fantasias, detalhes brilhantes abandonados ao chão, fragmentos enriquecendo o brilho, perpetuando a felicidade transmitida pelo desfile, pelo ritmo das melodias e pela percussão que se assemelham aos corações descompassados dos realizadores da manifestação de alegria, de congraçamento, de preservação do belo através da revelação da novidade baseada nos costumes não tão novos mas, a cada ano, revigorados. *Maurilio Tadeu de Campos. Mestre em Educação, escritor, presidente da Contemporânea - Projetos Culturais e membro das Academias Vicentina e Santista de Letras