(Reprodução/YouTube) Pouca gente conhece o importante trabalho desenvolvido pelo Centro de Simulações de Manobras de Navios, com sede no Tanque de Provas Numérico (TPN-USP), em São Paulo. O Centro é coordenado pelo competente professor Eduardo Aoun Tannuri, titular e atual chefe do Departamento de Engenharia Mecatrônica da Escola Politécnica da USP e referência no setor. Para a comunidade portuária, trata-se de um serviço essencial. O Centro atende a portos e empresas de todo o Brasil, destacando-se pela excelência de sua equipe e pela qualidade dos equipamentos. Os simuladores são configurados de acordo com o arranjo do porto e com as características dos navios testados, reproduzindo as condições reais de correntes, ventos e ondas. Com o apoio e acompanhamento da Autoridade Marítima, comandantes e práticos realizam em ambiente virtual testes de novos parâmetros operacionais, condições de calado e projetos de obras portuárias, entre outras análises. Tenho um carinho especial por esse projeto e pela parceria construída ao longo dos anos. Nós, práticos, acompanhamos o desenvolvimento dos simuladores e contribuímos com sugestões para aprimorar aspectos técnicos como o layout, que foi adaptado para se aproximar do passadiço real de um navio. Hoje, o Centro é referência mundial em modelagem matemática, estrutura, infraestrutura e tecnologia aplicada à simulação naval. O simulador da Praticagem do Brasil, mantido pelo Instituto de Praticagem em Brasília, também contou com o apoio da equipe da USP. As simulações aumentam a segurança das operações e servem de base para pesquisas aplicadas. Diante dos riscos e altos custos de testar navios em mar aberto, a simulação se tornou uma etapa crítica no desenvolvimento de soluções de navegação. Sempre que recebemos navios novos ou novos berços de atracação são implantados, recorremos às simulações para compreender o funcionamento esperado. Embora não seja possível reproduzir a realidade em sua totalidade, os modelos matemáticos fornecem informações valiosas sobre o comportamento das embarcações em cada terminal. Esses modelos consideram vento, corrente, ondas, tipo e dimensões do navio, área de manobra, bacia de evolução e número de rebocadores necessários. É, sem dúvida, um instrumento de grande apoio operacional. O pioneirismo da Praticagem de São Paulo deve muito ao Centro, tanto no caso dos navios de 366 metros quanto na implementação da manobra casada, que agilizou as operações portuárias. É prática comum recorrer aos simuladores para análises de risco e para o planejamento de novas estruturas portuárias. Fico muito satisfeito em ver o crescimento do Centro lado a lado com o desenvolvimento da Praticagem e do Porto de Santos. Até mesmo o PPU – equipamento levado a bordo para auxiliar nas manobras –, antes importado da Nova Zelândia, agora é fabricado no Brasil pela empresa Navigandi, onde seus fundadores são oriundos do TPN-USP, fortalecendo nossa capacidade produtiva e tecnológica. *Bruno Tavares. Vice-presidente da Praticagem de São Paulo