(Gerada por IA) Quando minha filha Eloah nasceu, compreendi de forma ainda mais profunda a imensa responsabilidade que todos temos com as futuras gerações. Senti um desejo genuíno de plantar no coração de cada criança sementes de consciência, pertencimento e cuidado com o planeta - especialmente com o mar, que é berço de vida, de histórias, de culturas inteiras. O mar, que também é meu ambiente de trabalho e uma peça-chave no desenvolvimento do nosso país. Quero que nossas crianças conheçam o mar não apenas como cenário de férias ou passeio, mas como herança viva de muitas gerações que nele encontraram sustento, respeito e conexão. Minha esperança cresceu em abril, quando o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a incluir a educação oceânica em seu currículo escolar. Uma conquista pela qual venho lutando há anos. Com apoio e reconhecimento da Unesco, o país assumiu um papel de liderança global na educação ambiental, científica e cidadã. Agora, é essencial transformar essa conquista em realidade, implementando o Currículo Azul em todas as escolas, com adaptações às realidades regionais e locais. Se essas iniciativas se multiplicarem, quem sabe possamos reverter o fato de que o Brasil despeja anualmente cerca de 1,3 milhão de toneladas de plástico no oceano — o equivalente ao peso de 1,3 milhão de carros pequenos — representando 8% de todo o plástico que chega aos mares no mundo. Ocupamos uma posição triste: o 8º maior poluidor global por plásticos, e o 1º na América Latina. Esses dados foram divulgados em outubro pelo relatório Fragmentos da Destruição: Impactos do Plástico à Biodiversidade Marinha Brasileira. O mais grave é que, mesmo liderando a produção de plásticos na região, ainda não temos no Brasil uma legislação específica para regular essa produção, nem mesmo para itens descartáveis — que viram lixo em minutos, mas permanecem na natureza por séculos. É um problema próximo de nós: cidades como São Vicente e Mongaguá lideram o ranking nacional de concentração de resíduos plásticos. É urgente aprovar o Projeto de Lei 2.524/2022, ainda em tramitação, que propõe regras para uma economia circular do plástico. Além disso, especialistas apontam a necessidade de investir em alternativas acessíveis, reutilizáveis e compostáveis, assim como em pesquisa e desenvolvimento. Levar informações como essas às escolas é fundamental. Empresas também fazem sua parte. A Praticagem de São Paulo, por exemplo, segue firme na coleta seletiva de resíduos no mar, e novas tecnologias vêm sendo desenvolvidas para limpar rios e oceanos. Em um país onde apenas 1% do lixo é reciclado, todos temos um papel. Espero que um dia minha filha — e tantas outras crianças que estão chegando ao mundo — aprendam a escutar o mar. E que lutem por ele. *Bruno Tavares. Vice-presidente da Praticagem de São Paulo