(Reprodução) Dois postos de observação militar (POs) construídos no Século 18 se escondem sob a mata ciliar da encosta marítima do Morro dos Limões, Guarujá, na margem esquerda da embocadura do estuário que abriga o Porto de Santos. Foram construídos com pedras talhadas sobre bases quadrangulares e medem cerca de 25m2 cada. Estão totalmente preservados e são ‘invisíveis’ (pela camuflagem natural) para quem olha para eles a partir de qualquer das praias da Baía de Santos. Porém, deles é possível observar: o mar e a orla marítima; o acesso ao porto, os edifícios e os morros próximos; as escarpas da Serra do Mar e o infinito céu azul em dias ensolarados. Eles eram utilizados para vigiar e expedir ordens de alertas sobre a aproximação de naus suspeitas de piratas ou de corsários, além de outras funções militares, dentre elas a de servirem como bases de retraimento (segunda linha de defesa), caso a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande e/ou o Fortim do Góes fossem tomados de assalto, pelo mar. Os dois POs merecem ser analisados a partir de uma visão estratégica ampla dos portugueses – admirável e impressionante – sobre a ocupação das áreas geográficas escolhidas para as primeiras etapas da colonização do Brasil. Naquela época era preciso, dentre outros fatores relevantes, ter água doce nas proximidades e proteção militar edificada ou natural contra o troar dos canhões dos piratas e dos corsários. A vila de São Vicente tinha estes dois fatores significativos, mantendo a ancoragem dos navios na embocadura do estuário de Santos, diante do Morro dos Limões, aproveitando a sua proteção natural do costão da Ilha de Santo Amaro (Guarujá), além da existência de uma fonte de água doce e de uma plantação de limões, importante para o combate ao escorbuto. As pessoas seguiam a pé para a Vila de São Vicente e as mercadorias eram transportadas por escaleres ou por tropas de burros. O local de ancoragem das naus está assinalado com uma réplica do ‘padrão português de posse da terra’, semelhante ao que existe em Sagres, Portugal. Você, caro leitor, pode realizar um passeio emocionante visitando a Fortaleza de Santo Amaro, sem ônus e nem agendamento, pois é administrada pela Prefeitura de Guarujá. Você pode descer da embarcação no atracadouro da Fortaleza e também pode percorrer um caminho sinuoso até alcançar a Praia do Góes, acompanhando a linha d’água e que lhe propiciará uma visão maravilhosa do Estuário de Santos. *Elcio Rogerio Secomandi. Membro da Academia Santista de Letras