(Imagem Ilustrativa/ Pixabay) Em 2024, pouco mais de seis mil pessoas foram vítimas da dengue no Brasil. O total de casos subiu 400% na comparação anual. Influenciado por esse cenário e por conversas no programa de pós-graduação em Internet das Coisas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), comecei a buscar opções assertivas para ajudar prefeitos e organizações públicas na luta contra a doença. A primeira meta de um grupo que formei com outros quatro pesquisadores de graduação e pós-graduação do IFSP era desenvolver um projeto funcional que possa ser repetido em cidades brasileiras. Desde o começo, a Prefeitura de Catanduva (SP) repassava as atualizações sobre novos casos de dengue, incluindo dados de evolução da doença. O grupo de pesquisa inseriu essas informações em um sistema de inteligência artificial (IA) desenvolvido para identificar padrões específicos que, quando comparados com o histórico clínico da evolução da doença, indicavam, já a partir dos primeiros sintomas, casos com mais chances de agravamento. Essa espécie de terminal de consulta vai ficar à disposição da equipe médica em unidades de saúde determinadas pela Prefeitura de Catanduva. O projeto também criou um mapa interativo com cores específicas para destacar bairros de Catanduva com maior incidência de dengue. Esse sistema direciona o deslocamento das equipes que coíbem o avanço da doença para áreas realmente críticas. O planejamento prevê que até o final de junho esse mapa esteja em um aplicativo que possa ser baixado pelos moradores da cidade. No dispositivo será possível denunciar focos de água parada que possam atrair o Aedes aegypti. A iniciativa em Catanduva também conta com parceria de cientistas da Universidade Tecnológica do Texas, nos Estados Unidos. A parceria iniciada em novembro recorre às IAs federativa e explicada para compilar os dados extraídos do projeto e utilizar essas técnicas para garantir a privacidade dos dados como também a explicação dos resultados obtidos. O ganho de escala do projeto rumo a outras cidades depende do compartilhamento das informações sobre a dengue pela administração pública e da padronização da API adotada para processar esse conjunto de informações no sistema de IA desenvolvido. *Marcio Andrey Teixeira. Pesquisador do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE) e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP)