(Reprodução/ Twitter) Recentemente, foram noticiados casos de pessoas acometidas pela febre maculosa, inclusive tendo alguns óbitos. Todas elas estiveram nas cercanias de Campinas, próximas ao Rio Atibaia, região endêmica para esta patologia, assim como a região amazônica é endêmica para a malária. A febre maculosa, inicialmente denominada febre maculosa das montanhas rochosas, foi identificada pela primeira vez no estado de Idaho, nos Estados Unidos, no final do século 19. Seu nome se deveu à grande incidência nos estados americanos cortados pela cadeia de montanhas rochosas. No Brasil, a febre maculosa, também conhecida como tifo, transmitido pelo carrapato, febre petequial, febre das montanhas ou febre maculosa brasileira, foi reconhecida pela primeira vez em 1929 no Estado de São Paulo. Logo depois, foi descrita em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Esta bactéria gram-negativa, rickettsia rickettsii, pode causar grandes problemas para o organismo humano. Ela ocorre em países ocidentais, particularmente Estados Unidos, México, Canadá, Panamá, Costa Rica, Brasil, Argentina e Colômbia. No Brasil, a maioria dos casos de febre maculosa se concentra na Região Sudeste, Essa maior incidência coincide com a presença do principal vetor e reservatório - o carrapato estrela. O carrapato-estrela se desenvolve ao longo de um ano e passa por três estágios parasitários. A taxa de mortalidade no Brasil é cerca de 10 vezes maior que a dos Estados Unidos. Este alto índice de mortalidade deve-se exclusivamente ao retardo no diagnóstico e no estabelecimento de tratamento adequado. O indivíduo que apresenta febre de moderada a alta, cefaleia (dor de cabeça), cansaço e história de picada de carrapato ou tenha frequentado área sabidamente de transmissão desta doença nos últimos 15 dias deve informar o médico infectologista o mais rápido possível. Podem existir manifestações hemorrágicas em alguns casos. O médico, com certeza, indicará uma serie de exames laboratoriais e iniciará um tratamento que pode ser decisivo na vida do paciente. Os tratamentos têm como base os antibióticos à base de clorofenicol e tetraciclinas. A principal medida profilática consiste em evitar o contato com carrapato, mantendo distância de áreas rurais sabidamente endêmicas. Caso haja necessidade de caminhar por estas áreas, devemos utilizar roupas brancas que cubram braços e pernas completamente. Este tipo de roupa facilita a visualização do carrapato. Outra medida importante neste tipo de área é utilização de fitas adesivas para vedar a junção entre calças e botas. Ao encontrar um carrapato aderido à pele, o ideal é retirá-lo com auxílio de uma pinça, torcendo-o levemente para que se desprenda. Uma cabeça de fósforo queimado encostada no carrapato pode fazer com que ele se solte da pele também. Nunca se deve esmagar o carrapato com as unhas, pois isso levará à exposição das riquétsias que podem penetrar na pele via microlesões. *Eduardo Ribeiro Filetti. Médico veterinário, professor universitário, mestre em Saúde Pública e membro das academias Santista e Praia-Grandense de Letras