Os extremistas de direita, bem como os de esquerda, têm algo em comum: a paixão por ideologia ou político cega a inteligência e floresce a estultícia. Creem que no Brasil não haja democracia, mas até isso a COP30 demonstrou haver, afinal as COPs anteriores aconteceram em países sem democracia nem tolerância – pior, em nações produtoras de combustíveis fósseis. Aliás, diante da mais exuberante floresta do mundo, ficou claro que as futuras COPs precisam excluir países que não queiram promover a mudança, que sigam o presidente Donald Trump, invistam em petróleo e carvão e afundem diante da incrível tecnologia chinesa que tornou mais barato produzir energia solar e eólica e armazenar em baterias. Países que não têm a diversidade brasileira para complementar a energia solar e eólica com hidrelétricas e termelétricas a bagaço de cana, agora têm a disposição baterias de lítio com preços compensatórios. O governador da Califórnia anunciou que atingiu 16.942 megawatts (MW) de capacidade disponível de armazenamento em baterias, um terço da capacidade de armazenamento estimada como necessária até 2045 para ser 100% de energia limpa. Os investimentos em armazenamento começaram em 2019. A China tem a maior capacidade do mundo e atingiu 164 GW de capacidade instalada em sistemas de armazenamento de energia em agosto de 2025. Somente no primeiro semestre de 2025, instalou 100 GW de baterias de lítio. A Califórnia também aderiu ao Compromisso Global de Armazenamento de Energia e Redes Elétricas, uma iniciativa da COP apoiada por mais de 100 países e organizações. O armazenamento de energia é essencial ao capturar o excedente de energia solar e eólica quando é abundante e liberá-lo durante os picos de demanda, as baterias mantêm a rede estável e permitem depender de energia renovável 24 horas por dia. O setor brasileiro de biocombustíveis lançou também a Carta de Belém, que propõe um esforço internacional para quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035, seguindo as recomendações da Agência Internacional de Energia (IEA). Os governos também deveriam orientar os donos de carros elétricos sobre qual o melhor horário para abastecer. *Mario Eugenio Saturno. Tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e congregado mariano