(FreePik) A competitividade da indústria e da economia depende cada vez mais da educação, pois a lógica da produção vem mudando rapidamente, exigindo novas competências e habilidades. As empresas demandam de modo crescente a boa formação dos recursos humanos para atender às transformações resultantes do avanço tecnológico e das relações trabalhistas. Esta é uma reflexão inevitável em outubro, mês em que celebramos o Dia das Crianças e o Dia do Professor. Ensinar e apreender com eficácia é uma equação essencial para definir nosso futuro como nação. O ingresso em um ciclo duradouro de crescimento sustentado exige aumento expressivo da produtividade, o que somente é possível com um sistema que ofereça a todos um ensino de excelência. Diante desse desafio, são preocupantes os resultados do relatório Education at a Glance 2024, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Fica claro que nosso país ainda mantém distância considerável em relação às economias mais desenvolvidas, além de ficar atrás de alguns vizinhos latino-americanos. Um dos indicadores mais reveladores é a taxa de jovens entre 25 e 34 anos que não concluíram o Ensino Médio: no Brasil, 27% estão nessa condição, contra apenas 14% na média da OCDE. Houve melhora nos últimos anos, pois em 2016 esse índice era de quase 30%, mas ainda é um dos gargalos estruturais. Na Educação Infantil, o Brasil está mais próximo do padrão internacional: 90% das crianças de 5 anos estão matriculadas, pouco abaixo da média da OCDE, de 96%. O avanço é notável, mas ainda há espaço para expansão, sobretudo quando se observa que países como o México já superaram os 93%. Preocupa-me muito, também, a remuneração da carreira no Magistério. A média salarial de um professor do setor público na Educação Básica no Brasil é definida pelo piso nacional, de R\$ 4.867,77 em 2025. São US\$ 11,92 mil por ano, considerando o 13º salário. Na média da OCDE, o vencimento anual dos professores do Ensino Médio supera os US\$ 43 mil. Nossos mestres precisam ser mais bem remunerados no sistema público, pois são os principais agentes da excelência na formação das sucessivas gerações. Um segmento no qual, a meu ver, o Brasil tem avançado é na educação técnica, muito em decorrência da reconhecida qualidade do Sistema S, como se observa no Senai. Com o novo Ensino Médio, abriu-se a possibilidade de ampliação da formação profissional, permitindo que jovens adquiram mais cedo qualificações valorizadas no mercado. Porém, é necessário garantir maior escala e um padrão nacional de excelência na rede pública. Os gargalos da educação brasileira estão expressos nos resultados do Pisa. O exame internacional realizado pela OCDE mostra que mais de 70% dos estudantes brasileiros de 15 anos não atingiram o nível básico de proficiência em matemática, leitura e ciências. Esse percentual é drasticamente mais alto do que a média da OCDE (cerca de 30%) e indica que estar na escola não se traduz em aprendizagem sólida. É prioritário estabelecer com urgência melhores condições para os professores ensinarem e as crianças aprenderem. Não atender a essa prioridade significa, na prática, conspirar contra o nosso próprio futuro. *Rafael Cervone. Presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).