O ano de 2025 teve como destaque novamente dois pesquisadores do Observatório Astronômico do Vaticano, o famoso Specola Vaticana: são os padres Gabriele Gionti e Matteo Galaverni. Eles revelaram a existência de duas maneiras diferentes de descrever a gravidade na presença de um campo adicional que, usando os instrumentos matemáticos certos, não só descrevem a mesma física, mas podem até criar novas soluções para as equações de Einstein. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Já contei diversas histórias da contribuição de religiosos na Ciência, como das quatro irmãs que, sem grande conhecimento, catalogaram quase meio milhão de estrelas de 1910 a 1921. Aliás, o Specola foi o único a cumprir a meta, graças a elas. Também já falei do padre Nicolau Copérnico, que desenvolveu o sistema heliocêntrico, lançou seu livro durante o Concílio de Trento e não teve problema com a Inquisição. E, claro, o padre Georges Lemaître, criador da teoria do Big Bang e muitas outras contribuições. Na Idade Média, o monge dominicano Teodorico de Freiberg (1250-1350) conseguiu reproduzir o arco-íris primário e secundário e escreveu o livro Sobre o Arco-Íris e as Impressões Causadas pelos Raios. O monge beneditino Benedetto Castelli, amigo e colaborador de Galileu Galilei, desenvolveu um método para projetar a imagem do sol sem prejudicar a visão, ajudando assim no estudo das manchas solares. O astrônomo e padre jesuíta Christian Mayer ajudou a implantar observatórios na Alemanha, estudou o movimento das estrelas e elaborou um catálogo com dezenas de estrelas binárias observadas a partir de 1776. Uma cratera da Lua recebeu seu nome em sua homenagem. Falando nisso, o astrônomo e padre jesuíta Giovanni Battista Riccioli (1598-1671) estudou a Lua e desenvolveu um sistema de nomenclatura de característica do satélite e das crateras. Em 1801, o padre italiano Giuseppe Piazzi descobriu o planeta-anão Ceres, no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. O padre jesuíta Athanasius Kircher estudou vulcões, peste bubônica, elefantes, egiptologia e matemática. Escreveu muitos livros, sendo o mais conhecido o Mundus Subterraneus (1665), explicando o entendimento da época sobre o interior da Terra. O padre jesuíta James B. Macelwane desenvolveu importantes trabalhos na Sismologia. Ele foi eleito para a Academia Nacional de Ciências (NAS) em 1944 e presidente da União Geofísica da América (AGU) de 1953 até sua morte, em 1956. A AGU criou uma medalha com seu nome e, todo ano, homenageiam um cientista de até 36 anos de idade que tenha prestado contribuições significativas à Geofísica. *Mario Eugenio Saturno. Tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e congregado mariano