(Vanessa Rodrigues/ AT) Neste mês de novembro, espero voltemos a ver o céu azul. Há quanto tempo estamos nesse chove e não molha, faz frio e nada de sol. Penso naquele sol de ‘respeito’ que diz muito sobre o nosso lugar e, quer chova, quer faça sol, seguimos reclamando. No elevador: - E essa chuva que não para? - Não vejo a hora do verão chegar para reclamar do calor. Respondi, resignado. Coitado dos meteorologistas. Devem estar ganhando dos juízes de futebol. Justiça seja feita: o serviço de meteorologia brasileiro melhorou. Não depende mais dos ‘calos’ de seus técnicos para prever o tempo. Resultado de pés mais saudáveis graças ao avanço da indústria de calçados. Sobre o clima, a conversa é outra. Ele está no centro de uma disputa global. Não à toa, a COP30 está acontecendo em Belém, no coração da Amazônia, reunindo representantes de 196 países que buscam saídas para a crise climática, dentro do que estabelece o Acordo de Paris. O nome da conferência é extenso e complicado, assim como a urgência do tema e do debate. A China é a segunda economia do mundo e consome mais de um quarto de toda a energia produzida no planeta. Embora tenha buscado avanços, ainda depende em mais de 55% do carvão, petróleo e gás natural, razão pela qual é o maior emissor de CO2. Por outro lado, lidera a produção de energia solar, hidrelétrica e de veículos elétricos. Os cientistas alertam que é preciso limitar o aquecimento global em no máximo 1,5°C, se quisermos mitigar os prejuízos naturais já em curso. O Brasil não está entre os maiores poluidores do mundo por queimar carvão, como a China, ou por ter um estilo de vida intensivo em combustíveis fósseis, como os EUA. Nosso grande passivo ambiental é o desmatamento. O país tem rara chance de reduzir drasticamente suas emissões simplesmente cumprindo a própria lei e combatendo o crime ambiental. Não seria preciso parar fábricas nem desmontar toda a economia. Só preservar o que resta e rever o consumo desenfreado. Isso não quer dizer que estamos no melhor dos mundos. Especialistas já falam em esgotamento de recursos e colapso ambiental. Estamos no limite. Participar deste debate só pelo noticiário da TV é muito pouco para nós, que temos a capacidade de fazer escolhas. Ainda que não possamos mudar o mundo sozinhos, podemos pressionar quem decide. Antes que o verão chegue, e a gente volte a reclamar do calor, é bom lembrar que céu azul não depende só das nuvens. Depende tanto das grandes cúpulas quanto do nosso lixo de cada dia. Se quisermos reclamar menos do tempo e mais das soluções, talvez seja bom começar pelo que jogamos fora. *Marcio Aurelio Soares. Médico